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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016
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publicado por Paulo Sousa às 00:07
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2016
Sobre os burkinis

 

Na Pérsia do Xá Reza Pahlevi que governou o atual Irão até à revolução islâmica, o uso do véu islâmico era interdito.

Tal restrição impediu que durante doze anos, milhares de senhoras saíssem de casa. A educação e a sua vivência não lhes permitia sair de casa. O motivo da clausura não era apenas a proibição, era também uma questão social. Quem cresceu numa terra pequena como eu terá uma percepção mais espessa do que pode significar impedir o uso de uma peça de roupa de resguardo a uma senhora.

Parte do apoio popular que o Aiatola Komeni teve no inicio da sua revolução resultou também do alivio que os sectores mais tradicionais sentiram relativamente à ocidentalização forçada levada a cabo pelo regime do Xá.

Podemos também aqui lembrar a história do fez turco. Ataturk, o pai dos turcos e da Turquia laica que andará nos dias de hoje às voltas na tumba, disse aos turcos tradicionalistas que com ele no poder teriam de escolher entre manter o fez ou a cabeça. Após algumas decapitações o fez caiu em desuso.

O debate sobre estas questões de indumentária acabam sempre na liberdade individual. Os municípios franceses proibicionistas do nada estético burquini insistem em ignorar a história e em serem simetricamente idiotas aos clérigos islâmicos ideólogos dos tecidos que escondem a face das senhoras.



publicado por Paulo Sousa às 23:17
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Domingo, 10 de Julho de 2016
Sobre a final no Estádio de France

Nem todos se lembrarão mas o Estádio de France em St Denis foi construído para o Mundial de 1998 onde a França disputou a final e celebrou a titulo mundial.

Lembro-me de ouvir uma entrevista a emigrante português que trabalhou na construção desse mesmo estádio. Disse que todos os dias em ia trabalhar sonhava em ver ali a nossa equipa a jogar... e a ganhar.

Lembro-me também de não termos participado nesse mundial. Nesse tempo era habitual não nos apurarmos para as fases finais do troféus importantes. Mas a nossa equipa era na altura constituída pela chamada geração de ouro, que tinha sido duas vezes campeã mundial de juniores. Havia muita esperança no apuramento.

Lembro-me de no jogo decisivo do apuramento, contra a Alemanha, termos ficado sem o Rui Costa por cartão vermelho direto mostrado quando já estava a ser substituído. O árbito, Marc Batta, francês, achou que estava a demorar muito tempo a sair de campo. Ficamos fora do mundial e essa expulsão, completamente injusta, foi o momento que me ficou na memória. O Estádio de France ficou dessa vez inacessível para a nossa seleção.

Nos últimos jogos lembrei-me várias vezes deste emigrante, que para mim representa milhões de outros e que hoje, tantos anos depois e que talvez já cá não esteja, viu finalmente o seu sonho realizado.



publicado por Paulo Sousa às 23:50
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Sábado, 25 de Junho de 2016
Sobre o Brexit

Desde que me lembro que os analistas políticos evitam que as suas análises sejam ouvidas pouco tempo depois de terem sido proferidas. Muito poucas se concretizam e a maior parte não passam de ´wishfull thinkings´ facciosos não assumidos. Não deixam de ser legítimos opinadores mas também não deixam de ser ridículos e pretensiosos 'fazedores de opinião'.
Essa ideia ajudou-me a lidar hoje com tanto fatalismo apocalíptico perante o Brexit.
A vitória do 'Leave' traduz o divórcio generalizado entre os cidadãos europeus com as instituições europeias. Muito poucos saberão explicar para que serve a comissão, o eurogrupo, o parlamento ou o conselho europeu. Nem querem saber.
Mas à excepção dos radicais que existem nas margens da sociedade e que desejam a ruptura e a implosão do sistema (alguns deles sustentam a geringonça), a maioria dos cidadãos europeus identifica-se profundamente com os valores europeus, a democracia, a liberdade de expressão, os direitos das mulheres, a livre circulação de pessoas, bens e serviços.
Foram os mais novos que no Reino Unido votaram maioritariamente pela manutenção na UE e isso é também um sinal de esperança. Acredito que em termos etários uma divisão idêntica de opiniões se repita na esmagadora maioria dos estados-membros.
Já não vou para novo mas felizmente já não me lembro da Europa do equilíbrio de forças, onde se vê quem é o mais poderoso depois de contar quem tem mais tanques, aviões ou fragatas. Não é nessa Europa que eu quero viver.
Hoje festejam os grunhos do UKIP, da Frente Nacional, outros partidos xenófobos pela Europa e continua a aguardar-se uma posição oficial do PCP e do BE. Também o sr Putin e Trump estão a sorrir. Só isso é motivo para estarmos preocupados e alerta, mas o mais fantástico projecto civilizacional da humanidade não pode ruir depois de um referendo com uma vitória tão marginal.


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Quinta-feira, 16 de Julho de 2015
Sobre a mentira de que a Europa se está a desmoronar e sobre futura saída da Grécia do euro

A Europa não se está a desmoronar pois nenhum europeu de Lisboa a Helsínquia nem de Atenas a Dublin aceita o regresso ao equilíbrio de forças. Todos nos revemos nos valores europeus da democracia e da liberdade, mas poucos se revêem nas instituições europeias. São necessárias reformas sim, mas os credores da Grécia são os contribuintes europeus e os accionistas e depositantes dos bancos que compraram dívida grega. Se os bancos tivessem caído ficaríamos melhor? Quantos BES teriam de cair para que o Syriza fosse o herói da festa? Quantos milhões teria de Portugal perder para que o senhor Varoufakis merecesse uma estátua? Alguns países europeus perderam mais dinheiro no anterior perdão de dívida à Grécia do que gastam com as reformas dos seus idosos ou com os apoios sociais aos seus cidadãos. Onde é que termina a exigência de solidariedade da esquerda grega?

Ver o mundo a preto e branco em que de um lado estão os bons e dignos e do outro lado os pérfidos e fundamentalistas é intelectualmente cómodo mas demasiado simples para o que se está a passar.

A Europa sempre avançou no passado de crise em crise.

Da esquerda à direita são os radicais que desejam o regresso à Europa do equilíbrio de forças, onde se conta quem tem mais tanques, aviões ou fragatas. Os radicais unem-se quando as crises aparecem. De que outra forma se entende a coligação Syriza partido da esquerda radical com os nacionalistas de direita do governo grego? Ou a alegria da Mme LePen na vitória do Não no referendo grego. São eles que produzem os soundbytes repetidos pela imprensa e que alertam os cidadãos europeus.

É verdade que um dos pilares da construção europeia é a igualdade entre os seus membros independentemente da sua dimensão. Não acompanho o dia-a-dia nem sou entendido nos detalhes da política europeia mas apesar do direito de veto se manter, essa igualdade não se verificará dentro da União e ainda menos dentro do Eurogrupo. A distribuição nacional dos deputados europeus ajuda a que assim seja, mas existem também os directórios. O eixo franco-alemão sempre liderou o projecto e sem assim não fosse não teríamos vivído 70 anos em paz.

Discordo em absoluto com qualquer paralelismo entre a actual hegemonia alemã (que até parece que saiu derrotada na aceitação do plano grego) com o nazismo. Fazê-lo é mostrar que se desconhece a história.

 

Não ter sido prevista a possibilidade de saída do euro, aquando da sua criação, terá sido um erro, mas todos os países que embarcaram neste ambicioso projecto sabiam que estavam a perder soberania, pois deixavam de poder delinear a sua política monetária e cambial. Nem todos o quiseram fazer. O Reino Unido e a Dinamarca ficaram de fora e não são menos europeus por isso.

Ter o euro como moeda própria tem os seus custos e exigências.

Na semana que antecedeu o referendo estive dois dias em Atenas e um taxista disse-me que ter o euro como moeda era como ter uma amante fantástica mas financeiramente muito exigente. Ele achava de a relação devia terminar e preferia a Grécia fora do euro do que manter uma relação insustentável.

Também acho que o governo grego mesmo tendo aprovado o acordo negociado em Bruxelas, não conseguirá nem desejará cumpri-lo. Dentro de meses, muito poucos ou mais alguns, lá terá de se voltar ao assunto.

Se a Grécia saísse do euro já, de uma forma assistida, passaria alguns anos difíceis, como aliás passará em qualquer cenário, e depois da desvalorizar a sua moeda até à proporção da sua economia voltaria a ser competitiva e a crescer para voltar à normalidade. O adiar deste passo mostra a falta de estratégia dos líderes europeus que estão apenas a navegar à vista.

Para já não vou falar da relação dos cidadãos com o estado, que é diferente em cada país da UE e do mundo, e que está por detrás da incapacidade da Grécia em fazer reformas e cobrar impostos.

Nós também padecemos do mesmo problema embora a uma escala diferente. Mas isso fica para outro dia.


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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2015
Auto de fé contra os valores ocidentais

Esta semana em Paris dois grunhos entraram na redacção de um jornal e assassinaram 10 jornalistas e 2 policias. Estavam combinados com um terceiro grunho que invadiu um supermercado e fez reféns os seus clientes, tendo vindo a assassinar quatro deles. Mais uma vez o radicalismo islâmico tenta espalhar o terror no mundo ocidental.

Importa dizer que o Charlie Hebdo era um jornal dirigido a um reduzido nicho de mercado e o ateísmo era um seus pilares. Não fosse terem sido alvo há uns anos de um ataque com uma bomba incendiária, seriam uns desconhecidos à escala global. Para a maioria do público francês era apenas um jornal desprezível e provocador. O seus editores, herdeiros do espírito de Maio de 68, desprezavam a sociedade mas ainda assim mereciam protecção especial da república, o que não deixa de ser caricato.

A questão que se coloca é se este tipo de publicação, ou outra, deve ser sujeita a limitações para prevenir problemas futuros, seja lá que isso for. Por isso o debate que levanta é sobre a essência da liberdade de expressão.

Exibindo cartazes dizendo 'Je suis Charlie' o mundo mostrou-se solidário nas redes sociais e nas manifestações que reuniram vários milhões de pessoas um pouco por todo o mundo ocidental. Mais que solidariedade a mensagem foi de defesa da liberdade e dos nossos valores.

Vestindo a camisola de pós-modernos super-moderados surgiram algumas vozes que, condenando o terrorismo, lembraram que os conteúdos do Charlie eram abusivos e por isso eles andavam a pôr-se a jeito. Construíram-se muitas frases à volta desta ideia mas o 'andavam a pôr-se a jeito' está lá sempre. E isto não é mais que reduzir o quão hediondo é o radicalismo religioso, seja ele cristão na Idade Média ou muçulmano no sec XXI.

Limitar os conteúdos dos media ao bom gosto é algo que sempre existiu e existe nas ditaduras. E quem é que é o juiz do bom gosto? Quem é que pode usar a caneta azul? Cada um de nós tem critérios diferentes e se para uns faria sentido banir por exemplo a pornografia, para outros todas as publicações religiosas teriam de deixar de existir.

O pensamento do mundo ocidental formou-se ao longo de séculos. Foi a Revolução Francesa que iniciou a queda do Antigo Regime e um dos pensadores dessa época, Voltaire, disse: “Não concordo com o que dizes, mas defenderei até à morte o direito de o dizeres”. Revejo-me nesta abordagem e por isso discordo abertamente com qualquer 'andavam a pôr-se a jeito' na análise do que aconteceu. Acrescento dizendo que depois disto passei a adorar o detestável Charlie Hebdo.

Emmanuel Kant foi outro filosofo que contribuiu para o pensamento ocidental. Distinguiu que o que é legal pode não ser moral e vice-versa. O que é moral varia de pessoa para pessoa, ou de grupo de pessoas para grupo de pessoas, mas a lei é universal. Individualmente podemos considerar o aborto, o casamento gay, a eutanásia, etc, como sendo imorais mas aceitamos viver num país em que isso possa ser legal. E isso não é aceite por estes terroristas nem pelos seus instigadores. Tal como na Idade Média e ainda hoje nas ditaduras e nos regimes autoritários essa diferença não existe. Os líderes medievais assim como os dirigentes dos regimes autoritários eram e são donos da moralidade. Por isso temos de colocar no mesmo saco a Inquisição e os clérigos radicais muçulmanos. Uns organizavam autos de fé e os outros apelam ao assassinato de infiéis. O que aconteceu em França foi um auto de fé, não contra uma mulher a quem chamavam bruxa mas contra uns tipos que faziam uns desenhos provocadores e que até tinham pouca tiragem. Quem quiser inventar justificações para os inquisidores, ou para os carrascos que apenas cumpriram ordens, que o faça mas o que assistimos em Paris foi ataque medieval aos valores ocidentais.



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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014
Recortes da blogosfera

"Não há conversa sobre Sócrates que não acabe com alguém a utilizar a expressão “é bem-feito”. Na taberna ou na consultora por igual. É bem-feito por tudo o que fez ao país. É bem-feito porque os políticos deviam ser todos presos. É bem-feito porque o gajo merece. O bem-feito é vingança. Não é justiça.

Querem prender os verdadeiros responsáveis pelo estado miserável a que o país chegou? Prendam os dois milhões de portugueses que votaram em Sócrates. Prendam os outros oito milhões que abdicaram do seu juízo crítico e preferiram viver o conto de fadas. Prendam todos os dez milhões de portugueses que continuam a queixar-se que “isto está tudo mal” mas depois não se levantam do sofá para fazer alguma coisa. E mais os outros que se queixam que é preciso “fazer alguma coisa” mas depois não deixam que se faça nada. Votar é uma responsabilidade. Só depois é um direito. Sócrates até pode ser culpado de tudo. Mas a responsabilidade não é dele. É nossa.

É que neste país extraordinário continuamos a preferir ser mandados que a fazer qualquer coisa que nos possa responsabilizar. Adoramos ser mandados. Do senhor que fala alto dizemos que é um líder carismático. Do senhor que faz sem pensar dizemos que é um lutador. Do senhor que não tem medo de tomar decisões (mesmo as más) dizemos que é um predestinado. Preferimos ser enganados a que alguém nos chateie com a verdade. Preferimos delegar a responsabilidade das nossas vidinhas ao estado e aos outros. Somos assim. Uns palermas. Centenários palermas. E quando a coisa corre mal explicamos no café que é bem-feito. É culpado. Culpado. Na melhor lógica do "rouba mas faz" Sócrates é culpado não do roubo mas de ter roubado sem fazer. 

É bem-feito? Bem-feito para quem? Saber que um homem está preso sem ter sido julgado ajuda em quê?"

 

Rodrigo Moita de Deus, 31 da Armada



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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014
Associação de ideias

Quando soube da prisão de Sócrates, foi deste episódio que me lembrei...

 


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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014
Atlas 1999

 

Uma lata de óleo, uns bocados de madeira e umas linhas são suficientes para proporcionar um momento de alto impacto a quem atravessa o Alto Atlas.

Depois de conduzir centenas de quilómetros muito longe do alcatrão, sem se ver no meio de tantas pedras as mínimas condições para ali viver, não se consegue ficar indiferente alguém que nos espera para tocar uma musica para nós com este instrumento artesanal.

Ele, um pastor berbere acompanhado por uns miúdos, passam a primavera e o verão na montanha, esperava-nos há muitos minutos. Desde que nos tinha visto bastantes quilómetros antes sabia que ali iríamos passar. A pista é tão estreita e os declives tão acentuados que não existe alternativa. Quando estávamos a uns dez metros dele começou a tocar.

Ali ficamos durante um breve sempre a ouvi-lo confusos neste misto de expressão musical, arte e necessidade.

Os mais novos correm sua volta a rir envergonhados. Um bate palmas a acompanhar.

Todos andam descalços à volta do carro. Os mais pequenos desviam as pedras do trilho que foram colocadas antes por eles próprios. Sabem que assim obrigam o forasteiro a parar e a agradecer o favor.

No fim entregamos uns 'cadeaux' e continuamos por mais umas horas até chegarmos ao alcatrão.

 

Vida real, aqui tão perto.



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Terça-feira, 6 de Maio de 2014
Heidegger

“Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez; quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfônico no oriente; quando tempo significar apenas rapidez online; quando o tempo, como história, houver desaparecido da existência de todos os povos, quando um desportista ou artista de mercado valer como grande homem de um povo; quando as cifras em milhões significarem triunfo, – então, justamente então — reviverão como fantasma as perguntas: para quê? Para onde? E agora? A decadência dos povos já terá ido tão longe, que quase não terão mais força de espírito para ver e avaliar a decadência simplesmente como… Decadência. Essa constatação nada tem a ver com pessimismo cultural, nem tampouco, com otimismo… O obscurecimento do mundo, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odiosa contra tudo que é criador e livre, já atingiu tais dimensões, que categorias tão pueris, como pessimismo e otimismo, já haverão de ter se tornado ridículas.”

 

Martin Heidegger (1889-1976)

Introdução à Metafísica - 1953


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Domingo, 27 de Abril de 2014
Recortes da imprensa

Não ser de esquerda

 

Eu tenho um enorme problema: não sou de esquerda. Estes 40 anos não me converteram e continuo a ser uma herege de direita. Continuo a sofrer de uma espécie de masoquismo idealista que me mantém na barricada da direita e que faz com que eu não passe no crivo moralista da crítica nacional. Sempre me senti à margem do crivo moralista da crítica nacional e isso magoa, ofende mesmo. É que apesar de ser de direita sou sensível. Juro que sou. Tenho imensa inveja dos capitães de Abril, de Freitas do Amaral, de Mário Soares, de Ricardo Araújo Pereira e de todos os representantes genuínos dos ideais de Abril, que são certamente melhores pessoas do que eu. São de esquerda e ser de esquerda é estar do lado certo da força.

Se eu fosse de esquerda a minha vida seria muito mais simples. Ser de esquerda é ser boa pessoa e eu gostava que toda a gente me considerasse boa pessoa - ninguém duvidaria das minhas boas intenções mesmo que eu tivesse como sol o regime da Coreia do Norte. Mas quis o destino que eu gostasse mais dos mercados do que de Hugo Chávez e isso trama--me a vida. Não tenho credibilidade em matéria de bondades. É injusto.

Mas o pior nem é isso, o pior é que além de ser de direita também sou católica. Ora um católico praticante de direita 40 anos depois do 25 de Abril não é mais do que um beato fascista. Um retrógrado. Como se não não bastasse ser de direita, ainda tinha de inventar ser católica. É mau de mais. Se eu fosse de esquerda e católica, a minha circunstância seria muito mais agradável e já ninguém me chamava beata fascista. Seria com muita pinta apelidada de católica progressista, o que é muito mais chique e moderno. E eu gostava de ser chique e moderna, apesar de católica e de gostar dos mercados.

Sendo de direita, não tenho perdão: até podia ser a favor do casamento dos padres, da ordenação das mulheres, da distribuição de preservativos nas igrejas, mas como sou de direita, lá está, ninguém iria acreditar nas minhas boas intenções. Sou beata e pronto.

A coisa agrava-se ainda mais pelo facto de eu ter muitos filhos. Ter seis filhos, ser de direita e ainda por cima ser católica, é uma desgraça completa. É quase estupidez. É pedir chuva. É como gostar de ser gozado no recreio por causa da franja e teimar em manter a franja. Ainda por cima tenho o supremo azar de os meus filhos serem loiros (só tenho um moreno). Ora loiros, neste contexto, quer dizer betos. Tudo mau. Se eu fosse de esquerda ninguém olhava para os meus filhos como meia dúzia de betinhos mimados. Agora, esta coisa de ter uma família do tipo "Música no Coração" dá cabo da minha reputação. 40 anos depois do 25 de Abril e sem nenhum capitão de Abril na família (apenas um católico progressista), a minha reputação é, fatalmente, miserável.

Ora, 40 anos depois do 25 de Abril, ter muitos filhos, ser de direita e ser católica só pode querer dizer uma coisa: sou um caso perdido dos ideais de Abril. Ninguém que sofra desta tríade nociva pode ser tolerante, democrata ou defensor da liberdade. Mas eu sou. Juro que sou.

Se eu fosse de esquerda, de qualquer esquerda de Freitas a Louçã, não vivia neste sufoco moral (com jeitinho até podia ser monárquica). Também não passava a minha pobre existência de direita a explicar que tenho muitos filhos apesar de não ser rica, que sou católica apesar de não ser beata (até gosto muito dos Jesuítas...), que sou de direita mas não sou fascista. Fosse eu de esquerda e o povo de Abril seria tolerante com a minha condição, já podia ter dez filhos loirinhos, podia ser capitalista e até católica (tipo Guterres).

Passaram 40 anos do 25 de Abril e eu não sou de esquerda. No entanto, ainda tenho esperança de vir a ser de esquerda - Freitas e muitos outros demonstraram que a conversão é possível em qualquer idade - porque sei que seria mais livre. É que se eu me afirmasse de esquerda já podia ser livremente a pessoa de direita que de facto sou. Pois, apesar de já terem passado 40 anos do 25 de Abril, a nossa esquerda só tolera a esquerda.

 

Inês Teotónio Pereira, Jornal i



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Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014
Recortes da blogosfera

bloco de esquerda: uma análise de mercado

 

O mercado político português é um mercado fechado à concorrência, um regime oligopolista concentrado em quatro grandes prestadores de serviços: PS, PSD, PCP e CDS.

Estes quatro partidos, não por acaso os fundadores do regime e da Constituição política que o rege, definiram, em seu favor, as leis que regem o sistema eleitoral, o mesmo é dizer, o sistema partidário. Criaram regras leoninas que, na prática, impedem a concorrência: limitação de candidaturas independentes, círculos plurinominais com acesso exclusivo a listas partidárias, método de Hondt, financiamentos discriminatórios em razão de resultados eleitorais precedentes, acesso diferenciado aos meios de comunicação social em períodos de campanha eleitoral, limitações rígidas ao financiamento privado dos partidos, etc..

Graças a isto, os quatro partidos fundadores do regime mantêm-se os únicos com poder político real, com acesso aos órgãos de soberania, às empresas públicas, ao poder local, aos canais de informação e de formação de opinião, ao orçamento de estado. Em quarenta anos de democracia, apenas uma força política desafiou, duradouramente, este status quo: o Bloco de Esquerda.

A eclosão do Bloco foi resultado do espírito empresarial de mercado de um grupo de pequenos empresários políticos que conseguiram antecipar as necessidades dos consumidores e aproveitar circunstâncias excepcionalmente benéficas para conseguirem furar o bloqueio oligopolista existente. Esses pequenos empresários andaram, durante muitos anos, a tentar entrar no mercado e vender os seus produtos com as suas pequenas empresas partidárias, sem nenhum sucesso. Resolveram, por conseguinte, juntar os seus pequenos partidos e criar uma empresa maior que, para além de agregar o que cada um deles já possuía, conseguiu um resultado final que ultrapassava a simples soma das partes.

O novo produto oferecido aos consumidores foi cuidadosamente pensado e preparado. Surgiu como um híbrido de radicalismo político e diletantismo académico inofensivo, explorando um conjunto de temas que tinham consumo assegurado e que ninguém à esquerda, desde logo o conservador Partido Comunista Português, tinha interesse em explorar: os direitos das minorias, a descriminalização do aborto, a liberalização do consumo de drogas, a eutanásia, o casamento gay, etc.. Os patrões do Bloco de Esquerda, utilizando o melhor do espírito empresarial, conseguiram antever as necessidades do mercado eleitoral e ofereceram aos consumidores aquilo que eles pretendiam e mais ninguém oferecia. Quando José Sócrates, preocupado com a erosão do PS por causa destes “temas fracturantes” assumidos pelo Bloco, tentou fazer deles bandeiras do seu partido e do seu governo, já era tarde: os eleitores perceberam que o PS ia a reboque do Bloco de Esquerda, o verdadeiro proprietário desses produtos políticos inovadores.

A falência dos governos de Durão Barroso e Santana Lopes abriu condições de mercado excepcionais para a esquerda, e o Bloco, que teve a sorte de estar já em plena actuação empresarial nessa ocasião, aproveitou-as muito bem. Cresceu acima do Partido Comunista nas eleições legislativas e quase formou maioria absoluta com José Sócrates naquelas que se seguiram.

A estrutura directiva do partido seguiu, também, o bom modelo da empresa capitalista: um Conselho de Administração onde se concentravam todos os poderes deliberativos, no qual tinham assento todos os representantes do seu capital social originário (UDP, PSR, etc.), que foi transposta para as listas eleitorais e para o grupo parlamentar, chefiado por um Presidente – Francisco Louçã – que inegavelmente representava a maioria do capital social da empresa.

Uma vez conseguido sucesso empresarial com um produto inovador no mercado, o Bloco entrou na bolsa de valores políticos, abriu o seu capital ao público e, em consequência, começou a contratar quadros intermédios, aos quais, devido ao crescimento inusitado do partido e à falta de dirigentes que preenchessem todas as suas necessidades, deu responsabilidades, protagonismo e poder.

Só que nenhum destes novos dirigentes do partido tinha a percepção do que custara a Louçã, Fazenda, Miguel Portas e Fernando Rosas, entre outros fundadores, terem alcançado o sucesso empresarial que conseguiram. Eram todos muito novos, estavam fascinados consigo mesmos e com o seu imenso “talento” e, por conseguinte, não valorizaram a empresa à qual foram chamados a participar.

Assim, quando a lei da vida se impôs aos fundadores do partido e estes, por uma ou por outra razão, se tiveram de afastar de funções de responsabilidade, os seus putativos sucessores, quais filhos mimados de ricos capitalistas, não foram capazes de valorizar a herança recebida e, gastando-a perdulariamente em projectos megalómanos e em birras e zangas uns com os outros, desfizeram-na alegremente. Os dois cabeças-de-casal que ficaram a administrar o espólio já não acreditam na sua sobrevivência. Alguns dos herdeiros mais conhecidos passeiam-se por aí com os seus novos carros, a velocidade tresloucada, convencidos que continuarão a ter dinheiro para sustentarem infinitamente os seus luxos. Todos dizem mal uns dos outros e ninguém respeita a memória dos seus antepassados. O PC e o PS assistem, alegremente, ao espectáculo.

A aventura empresarial do Bloco de Esquerda, verdadeiro hino ao espírito empreendedor do capitalismo de livre-mercado, terminará, assim, como muitos dos poucos grupos empresariais portugueses: sem resistir à segunda geração. Paz à sua alma!

 

Rui A.

Blasfémias



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Domingo, 27 de Outubro de 2013
O conflito de gerações que irá marcar as próximas décadas



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Sábado, 19 de Outubro de 2013
A Constituição da Republica Portuguesa

Teriam sido os descobrimentos portugueses possíveis com a atual Constituição?

 



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Terça-feira, 19 de Março de 2013
O caso cipriota

É comum ouvir a esquerda defender que as off-shore deviam ser taxadas. O plano cipriota não é mais do que isso. Os oligarcas russos têm aplicações off-shore no Chipre em valor superior a 20 mil milhões de euros. Dez por cento desse valor resolve o caso cipriota. Se a União Europeia assumisse este facto estaria a hostilizar Putin e a Real Politik não o permite.
Em alternativa a este plano, a Russia irá resgatar as finanças cipriotas em troca da exploração das reservas de gás da ilha. Quase sem darmos por isso este ainda Estado Membro da UE passará a estar sob a esfera de influência de Moscovo. Dessa forma o Chipre assegura também a manutenção da distância da Turquia e assim mantém o status quo na divisão da ilha.
Mas o que está a dar é dizer mal da senhora Merkel...



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Sábado, 16 de Fevereiro de 2013
Recortes da imprensa



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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2013
Recortes da blogosfera

Simpático, Seguro e oco

António José Seguro esteve bem na entrevista que ontem deu a José Gomes Ferreira, no Negócios da Semana. Esteve seguro, cordato, simpático, fluente. O problema de Seguro não é Seguro, o problema de Seguro são mesmo as ideias, umas más, outras más e irrealizáveis.

Há, primeiro, a ideia que Seguro tem de que todos os sucessos políticos e financeiros obedecem a sugestões antigas dele, e a total falta de compreensão do mesmo Seguro sobre os tempos políticos e a necessidade de dar passos para atingir objectivos.

Diz Seguro que foi ele que disse que União Europeia e Banco Central Europeu deviam ter um papel mais activo na resolução da crise. Seguro acha que o papel mais activo de UE e BCE, agora, não tem a ver com o caminho prévio de austeridade, disciplina e consolidação orçamental na Europa.

Diz Seguro que era ele que recomendava há meses que fosse contraído um empréstimo de 5 mil milhões junto do Banco Europeu de Investimento para ajudar as PMEs, sem explicar como seria possível antes do cumprimento das metas da troika, e esquecendo os 4 mil milhões que acabam de nos chegar após cumpridas as metas e exactamente para esse propósito.

Há, depois, as propostas de Seguro.

Diz Seguro que a dívida pública continua a crescer, mas recusa Seguro sequer falar sobre cortes, porque, diz ele, «cortar não resolve nada», e que não se pode reduzir as prestações sociais, nem admitir «o empobrecimento». Então como há-de ser? Ora, pelo crescimento, que na cabeça de Seguro há-de ultrapassar os 4% do PIB (supõe-se que com os exactos rigor e políticas de crescimento com que Sócrates fez crescer a ruína). E pode Seguro garantir que, sendo governo, o país cresce? Não, Seguro diz que não pode fazer promessas dessas.

Diz Seguro que para chegar aos 2,5% de défice em 2014 não se pode ir por aquilo a que ele chama «a austeridade custe o que custar» (os nossos credores chamam-lhe «necessária»), mas antes pela «defesa de políticas públicas que protejam os cidadãos» (o que quer que isso seja).

Reina, pois, o consenso no PS: é que António Costa (o da duplicação de sedes da CML, das trapalhadas na Avenida e dos gastos perdulários com o dinheiro de uns terrenos vendidos) e José Sócrates (o da propaganda e da bancarrota) não hesitariam em subscrever tudo o que disse Seguro.

Disse Seguro, logo no início da entrevista, que «quando o PS ganha, ganhamos todos». Os socialistas, sem dúvida.

 

 

José Mendonça da Cruz, Corta-fitas



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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013
Recortes da blogosfera

O regresso aos mercados não alivia o desemprego amanhã nem acaba sequer com a austeridade. Mas sem o regresso aos mercados nunca mais seria possível facilitar, de forma sustentada, o financiamento à economia, sem o qual não haverá nunca crescimento, sem o qual não haverá nunca criação de emprego.

Não é o fim, é o principio do fim, mas para quem ainda há pouco jurava que Portugal não voltaria aos mercados nem no final de 2013, um regresso logo em Janeiro é um golpe de mestre. Bem preparado e bem realizado, e que correu francamente bem, com a maioria dos pedidos a virem do estrangeiro, de quem tem dinheiro para investir a longo prazo, e com uma taxa de juro muito razoável, se bem que ainda elevada.

Há muito que não tínhamos boas notícias como esta. Mas há ainda mais. Sem regresso aos mercados a troika não se podia ir embora, pois continuaríamos a necessitar do dinheiro dela. Ora com a troika em Portugal estaríamos sempre na condição de sermos uma espécie de protectorado. É também por isso que esta notícia é importante e é fundamental que se trata de um movimento sustentável no futuro.

Quem desvaloriza a sua importância está mais do lado dos que acreditam que quanto pior, melhor. E dos que estão furiosos por se terem enganado no seu papel de cassandras.

 

 

José Manuel Fernandes, Facebook 



publicado por Paulo Sousa às 19:00
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Domingo, 20 de Janeiro de 2013
Não têm vergonha...!!!

 

Durante os governos PS nunca houve um temporal destes. Isto é uma vergonha.

Malditos neo-liberais! 

 



publicado por Paulo Sousa às 00:01
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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2013
Recortes da blogosfera

Mercado da dívida visto pela esquerda 

 

Mercado da dívida visto pela esquerda

 

Taxa de juro da dívida a 10 anos no mercado secundário.

 

 

João Miranda, Blasfémias 

 

 

 

 



publicado por Paulo Sousa às 13:00
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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2012
Recortes da blogosfera

A comunicação social portuguesa no seu pior. Durante mais de uma semana, vários órgãos de informação, com destaque para o Expresso e para a TSF, deram palco a um tal Artur Baptista da Silva que falaria em nome da ONU e de um grupo de economistas que observaria a Europa do Sul.

Ninguém procurou saber mais sobre o ilustre economista que apareceu vindo do nada e começou a botar faladura, indo até a um Expresso da Meia-Noite. Ninguém se interrogou sobre ele dizer barbaridades como a de que as Nações Unidas terem pedido explicações à Europa sobre as condições da ajuda a Portugal, algo totalmente implausível. Ninguém fez uma busca simples na Internet para tentar descobrir o passado do "génio da economia" que o país desconhecia. Afinal o homem não passará de um burlão. O organismo que diz dirigir não existir. Nas Nações Unidas ninguém o conhece. E quem colocar o seu nome no Google apenas descobrirá que costuma assinar todas as petições da esquerda bem-pensante e esteve na candidatura de Manuel Alegre. O que talvez explique tudo: a nossa comunicação social, ou grande parte dela, só parece andar à procura de quem repita a narrativa dos jornalistas. Ora o que este burlão dizia encaixava perfeitamente na narrativa dominante nas redacções, pelo que ninguém se incomodou muito a investigar a origem do homem durante mais de uma semana.

É triste, mas é verdade. 

 

 

José Manuel Fernandes, via facebook 

 



publicado por Paulo Sousa às 10:00
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2012
Recortes da imprensa



publicado por Paulo Sousa às 23:00
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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012
O espirito de natal está pelas horas da morte...

 

 

Câmara Municipal de Lisboa contratou uma instalação artistica por 229.637 euros, sem concurso público. Segundos alguns relatos parece ser uma árvore de natal.

O autor do projecto descreve-o como 'interactivo' e acrescenta que 'as pessoas são a árvore'. Disse ainda que "neste período de crise em que há uma certa desvalorização das pessoas, achei interessante valorizá-las".

Ora aí está uma excelente forma de valorizar as pessoas só alcançável à elite dos sensíveis sociais.

Pena que as pessoas, essa entidade vaga e abstrata, que a Câmara e o artista pretendia valorizar são também os contribuintes que além dos muitos milhões que devem à Troika têm agora mais 229.637 euros para pagar.

Nas mão destes senhores o espirito de natal fica pelas horas da morte...

Boa Costa!!



publicado por Paulo Sousa às 22:50
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2012
Recortes da blogosfera

Síndrome de Estocolmo?

 

O Partido Socialista – ninguém o esqueça – governou Portugal 13 anos nos últimos 17.

Nesse período aumentou assustadoramente a despesa do Estado, duplicando os gastos do Serviço Nacional de Saúde, criando sindicatos de voto com o Rendimento Mínimo Garantido (uma prestação não contributiva de incentivo à parasitagem social), hipotecou as gerações futuras com dezenas de parcerias público-privadas, muitas delas eufemísticamente vendidas como sem custos para os utilizadores. Só nos últimos 3 anos da famigerada governação Sócrates duplicou a dívida pública, que aumentou em mais de 80 mil milhões de euros, uma dívida astronómica superior ao próprio programa de assistência internacional que, no fim da festa, o anterior Governo teve de assinar para garantir o pagamento de salários, pensões e o próprio funcionamento da máquina do Estado.

Sei bem que antes de Guterres muitos erros foram também cometidos, não raro por quem agora cinicamente alija responsabilidades próprias chorando lágrimas de crocodilo pelo povo que antes enganou e cujo futuro também comprometeu.

Mas a responsabilidade maior, essa é de um PS desavergonhado que confia na memória bovina do vulgo para escapar ao julgamento em que a História seguramente o condenará.

Por mim não tenho ilusões: se comunistas e bloquistas se portam como autênticas hienas, salivando com as dificuldades que muitas famílias enfrentam, este PS está também claramente do lado do quanto pior melhor. O vazio de ideias de Seguro só tem paralelo com a fraqueza que o mesmo exibe perante os insuportáveis sócratinhos que se babam no plenário de S. Bento.

Contarmos com o PS é o mesmo que uma vítima pedir ajuda ao seu agressor.

Esperar do PS, do partido que arruinou Portugal e nos levou à bancarrota, qualquer contributo útil, sério ou exequível, é como a cegonha acreditar nas intenções filantrópicas da raposa.

O que hoje Fernando Ulrich disse sobre os riscos de uma séria degradação das condições sociais, económicas e financeiras do País, e que tantos imbecis se esforçam por ridicularizar ou apenas zurzir, é apenas o aviso do bom senso, do que nos pode acontecer se ouvirmos o facilitismo e ignorarmos a realidade.

E a verdade é que, por muito que custe à gerontocracia do regime e à esquerda em festa, o Mundo não nos deve a existência nem se compadecerá se nos não adaptarmos às nossas possibilidades.

Quanto mais tarde o percebermos, pior, e foi isso que disse Ulrich.

 

Rui Crull Tabosa 

Corta-fitas 



publicado por Paulo Sousa às 23:00
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2012
Selos com sobrecarga - recortes da história

 

Este é o primeiro selo português com a sobrecarga 'Republica'.
A imagem inicial retrata D. Manuel II, último rei de Portugal deposto pelo golpe de estado que instaurou o regime republicano a 5 de Outubro de 1910. Depois desta data D. Manuel foi expatriado juntamente com a sua famíla para Inglaterra, onde viveu o resto da sua vida.



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Domingo, 21 de Outubro de 2012
Selos com sobrecarga - recortes da história

 

Este selo que já aqui publiquei há algum tempo tem a particularidade de ter uma sobrecarga relativa à independência de Moçambique. Apesar de ser um selo de Portugal Colonial foi utilizado após a independência de Moçambique mas antes da sua autonomia postal.



publicado por Paulo Sousa às 23:00
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2012
Recortes da blogosfera

A prática grega e a receita do PS 

 

Há de facto coisas estranhas na mentalidade de alguns portugueses e na política nacional.

Desde que Portugal ficou sujeito ao acordo com a troika assinado pelo anterior governo de Sócrates, o Governo de Passos Coelho tem assumido cumprir as regras, não fazer renegociações, nem pedir mais tempo ou mais dinheiro. Tem sido isto que, apesar das dificuldades por que Portugal tem atravessado, nos tem distinguido da Grécia e garantido alguma credibilidade do País nos meios internacionais que alimenta ainda alguma esperança em ultrapassarmos a crise.

Olhando para a Grécia, desde que esta ficou sujeita ao primeiro acordo, aquele País tem sido caracterizado por não cumprir as suas exigências, renegociar os termos em que o mesmo foi feito, pedir mais dinheiro e até mais tempo. Por acaso os gregos têm beneficiado algo com esta estratégia, não se tem verificado que as consequências de incumprimento e a incapacidade de o levar em frente têm sido sempre desfavoráveis ao povo daquele País?

Então por que elementos do PS e Seguro insistem em não cumprir algumas das exigências do acordo com a troika, com o argumento de suavizar a aplicação do programa ou em pedir mais tempo e até alguns mais dinheiro?

Qual a vantagem de seguir um modelo alternativo de gestão da crise que nos seus termos mais se assemelha ao comportamento Grego cujos resultados são bem piores que a estratégia seguida por Passos Coelho?

 

Carlos Faria, Forte Apache 



publicado por Paulo Sousa às 14:00
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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2012
Festa de São Miguel 2012

  Nas próximas duas semanas vou estar aqui. Apareçam.

Clique na imagem


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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
Selos com sobrecarga - recortes da história

 

 

Este selo foi emitido pela federação de territórios coloniais designada por Africa Ocidental Francesa. O território que mais tarde se veio a designar como República da Guiné, também conhecida por Guiné Conakry, integrava esta federação e tornou-se independente em 1959. Este selo recebeu então a sobrecarga que oculta a federação emissora e com a designação do novo país 'Republique de Guinee'. 



publicado por Paulo Sousa às 23:00
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2012
Hoje começa o Ramadão

 

Para um bilião e meio de seres humanos, este é um mês especial.

A práctica do jejum ritual é o quarto dos cinco pilares do Islão. Além do jejum, neste período recomenda-se a práctica mais intensa da caridade, a vivência da fraternidade e dos valores familiares.

O facto deste período ser definido pelo calendário islâmico, um calendário lunar, faz com que seja celebrado em diferentes meses do calendário gregoriano. É imensa a informação que se pode encontrar na internet sobre este assunto.

A imagem que o mundo ocidental tem sobre o Ramadão é muito limitada. Não fosse a fraca performance dos jogadores muçulmanos que actuam no futebol ocidental e esta data passaria quase despercebida.

Há alguns anos estive num país árabe durante o Ramadão e fiquei com uma imagem diferente deste mês, que é um mês de festa.

As cidades são esvaziadas dos trabalhadores de origem rural, pois estes deixam o trabalho e juntam-se à família para junto deles celebrar o Ramadão. Isto implica que tudo funcione em serviços mínimos, ou simplesmente não funcione. Faz lembrar o que se passa no período de férias, com a diferença de que cá isso dura três meses. A título de exemplo, sucedeu-me num Hotel ser avisado que não havia água quente pois a pessoa que acendia a caldeira estava fora da cidade a celebrar o Ramadão.

Ao contrário da ideia de punição do corpo que associamos ao jejum, algumas pessoas com quem falei sobre o assunto justificam-no com base em recomendações médicas, ou seja, podemos compara-lo a um mês de dieta. Alguém discute as suas vantagens?

Ao contrário da ideia de oração e de penitência que associamos ao Ramadão, não deixa de ser incrível a animação que invade as ruas logo que o sol se põe. As esplanadas ficam cheias, os vendedores de comida estão por todo o lado, a música entoa pelos altifalantes do vendedores de cassetes e de CD's, as crianças brincam e correm, alguns jovens dançam, os idosos jogam dominó e outros jogos de mesa e aos mais pobres é oferecida comida e esmolas.

Entendi que almoçar no Ramadão fosse uma falta de respeito pelos muçulmanos e seguindo a máxima 'em Roma faz como os romanos' tive de fazer umas sandes e comê-las enquanto conduzia, sempre com a preocupação de quando me cruzava com outro carro não ser apanhado com a boca na botija, quer dizer, da sandoca.

Tive um guia que me explicou que estão dispensados do jejum as crianças, os idosos e os doentes. Pediu-me para parar ao anoitecer para rezar e depois disso aceitou um iogurte.

A ideia que fazemos do mundo árabe e do Islão é deturpada por muito ruído noticioso, facto que interessa, e muito, a uma extremamente reduzida minoria de islamitas radicais, que ganha relevo quanto maior for o atrito entre o mundo ocidental e o mundo árabe. Têm ambições de poder e para isso não hesitam em aliciar jovens para se suicidar em nome de uma religião que apela à paz e ao entendimento entre os povos.

 

Texto já editado aqui.



publicado por Paulo Sousa às 22:00
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Leitura em curso


O Futuro e os seus inimigos

 

de Daniel Innerarity

 

Um livro que aposta numa política do optimismo e da esperança numa ocasião em que diminui a confiança no futuro. Boa parte dos nossos mal-estares e da nossa pouca racionalidade colectiva provém de que as sociedades democráticas não mantêm boas relações com o futuro. Em primeiro lugar, porque todo o sistema político, e a cultura em geral, estão virados apenas para o presente imediato e porque o nosso relacionamento com o futuro colectivo não é de esperança e projecto mas de precaução e improvisação. Este livro procura contribuir para uma nova teoria do tempo social na perspectiva das relações que a sociedade mantém com o seu futuro: de como este é antevisto, decidido e configurado. Para que a acção não seja reacção insignificante e o projecto se não converta em idealismo utópico, é necessária uma política que faça do futuro a sua tarefa fundamental

 


Teorema

 


 

 




 

Cachimbos: Marcas, Fabricantes e Artesãos

 

 

de José Manuel Lopes

 

 

 

O mais completo livro sobre cachimbos, da autoria do jornalista José Manuel Lopes, presidente do Cachimbo Clube de Portugal. Profusamente ilustrada, esta obra a que poderíamos chamar enciclopédica, dá-nos ainda em anexo uma completíssima lista de clubes e associações do mundo inteiro e dos seus sites.


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