12 comentários:
De Paulo Sousa a 17 de Agosto de 2010 às 22:51
Olá Nuno,

É um prazer tê-lo aqui no Vale do Anzel.

Sobre o que 'Aconteceu num paraíso socialista' não faz sentido comparar o caso francês com o coreano (não estou a par do caso Nigeria). Este post refere-se ao inequívoco atentado aos direitos humanos e não facto desportivo em si.

Abraço


De PortoMaravilha a 18 de Agosto de 2010 às 23:38
Olá ,

Como vai ? Só agora reparei que o não tinha cumprimentado no comentário anterior. Peço desculpa.

Estive em Portugal uma semana ( aluguei nas praiias de Ovar e depois fui para as Astúrias ) e achei ( já não ia há sete anos ) progressos extraordinários no que diz respeito ao civismo, cotagem de lixo, passeios limpos... Fiquei agradavelmente surpreso.

Mas também é verdade que não se apagam facilmente 50 anos de fascismo-analfabetismo. No fundo, Portugal é um país novo.

Os meus filhos adoraram Portugal.

Quanto ao que escrevi : Não deixa de ser curioso que o governo Francês tenha feito do Mundial um caso de estado. Porquê ?

É claro que o meu país não é a Coreia do Norte ( felizmente ). Mas foi também uma tentativa mal sucedida em tentar desviar todo o debate que existe em torno dos ataques contra as conquistas sociais, os escandalos financeiros ...

Pela primeira vez na história da França desde 1945, o enrequecimento dos mais abastados não favorece o os mais pobres. Algo inédito. E esta análise nem é minha, mas de Coppé que faz parte do grupo parlementar que apoia Sarkozy.

O direito a um mínimo para poder viver com dignidade também faz parte dos direitos humanos, sobretudo num dos países mais ricos do mundo.

E deste ponto de vista, continuo a achar curioso que a França, tal como a Coreia tenha e continue a fazer do Mundial um caso de estado.

Abraço,

Nuno


De Paulo Sousa a 22 de Agosto de 2010 às 23:39
Nuno, sabe que é sempre um prazer conversar consigo.
Por partes.
É sempre agradável saber que alguém apreciou uma visita a Portugal. O período de tempo que passou desde a sua última visita permite-lhe uma análise diferente e mais alargada daquela que fazemos, mas sinto (e não estou só) que já estivemos bem melhor do que estamos.
Sobre o ligação da política ao futebol, não é novidade, acontece desde que o desporto-rei se tornou um fenómeno de massas. Olhando apenas para o último mundial houve mais casos além dos que relatou. Veja-se o caso de Espanha. No dia anterior à final mais de um milhão de pessoas manifestaram-se contra a unidade do Reino de Espanha, defendendo a independência da Catalunha... depois disso se orgulharam pelo feito da selecção e o Rei não se poupou em recepções de Estado aos jogadores e treinador...
Não distingo ditaduras de esquerda e de direita, são todas ditaduras e por isso não concordo em contrapor temas como as conquistas sociais e a liberdade do indivíduo vs estado num debate.
O motivo inicial do post foi a repulsa por um regime que condena um treinador de futebol a trabalhos forçados, por não ter atingido melhores resultados, o que é inqualificável. E acrescento que existem deputados portugueses da Assembleia da República que defendem o regime da Coreia do Norte, o que me deixa quase sem palavras.
Obrigado pelo comentario


De PortoMaravilha a 24 de Agosto de 2010 às 21:52
Olá !

Como vai ?

Eu estou totalmente de acordo consigo : Não existem ditaduras de esquerda ou de direita . Existem só ditaduras e nada mais.

Obrigado pela informação que desconhecia : Não sabia que existiam deputados pt que defendensem o regime da Coreia do Norte. O que é um ... absurdo.

Todavia, e sem fazer qualquer comparação entre a Coreia do Norte e a França, não posso ficar insensível ao facto que a França tenha expulsado ciganos, separando pais, mães e filhos .

E, sem quer ser teimoso, talvez esta história me reenvie para um passado que os meus conheceram e que se tenta apagar.

Sarkozy, apóstolo do turbo-liberalismo, tem responsabilidades maiores E quem não se cala também tem ainda maiores responsabilidades.

A dignidade humana não tem preço !

E como tal continuo a pensar que não é um acaso se a França é ( ainda é ) ou foi o único país a fazer do Mundial um caso de Estado.

Mudando de assunto a 365 coisa ventos ( lol ) :

Tenho acompanhado a sua série de fotos.

No que diz respeito aos Navajos : A conquista do seu território será fácil. É um povo que não tem medo da morte e cuja relação com outrem difere totalmente das outras nações índias.

Penso que é possível com os romances ( policiais historicos ) de Tony Hillerman re-descobrir a nação Navajo

Nuno





De Paulo Sousa a 24 de Agosto de 2010 às 23:36
Ola Nuno,

Será a dignidade humana algo tão importante que devemos toda a vida fazer por a merecer, ou é-nos intrínseca sejam quais forem os nossos actos? Não estou a fazer qualquer afirmação, mas apenas a assumir uma dúvida.
Acredito que no caso da extradição dos europeus de etnia cigana de França para a Roménia, a lei estará a ser cumprida.
Desconheço a obra de Tony Hillerman, mas sobre os Navajos posso afirmar que têm um território fantástico. Merece a visita.
Abraço


De PortoMaravilha a 30 de Agosto de 2010 às 21:40
Olá Paulo Sousa,

A sua pergunta dava para uma dissertação de filosofia.

A dignidade humana não nos é intrínsica . A humanidade sim !

Acho que a compreensão de que somos humanos nos leva fatalmente para questionamentos que desaguam na problemática da dignidade humana.

O autor do Pavilhão dos Cancerosos, escreveu um relato que retrata um dia ou 24 horas de um prisioneiro no Goulag ( não conheço o título em Português ). Resistiu porque nunca comeu com as mãos ou lapou... Primo Lévi em " e se fosse um homem" apresenta uma passagem igual num campo da morte nazi. E sem dúvida Robert Merle, em "La mort est mon métier" ainda exprime melhor o sentimento que a dado momento da sua vida qualquer ser humano, porque tem consciência da sua conciência, expressa o medo da morte de outrem e logo o medo da sua própria morte.

Não sei o que são leis que separam pais, mães e crianças.

Abraço,

Nuno





De Paulo Sousa a 31 de Agosto de 2010 às 08:33
dura lex, est lex



De PortoMaravilha a 8 de Setembro de 2010 às 14:30
Olá,

Desculpe a resposta tão tardia. Mas "la rentrée" tem-me roubado muito tempo.

No excelente tele-filme Francês, "Souza Mendes" , a dado momento o consul vira-se para o seu secretario e pergunta-lhe : "Tem a certeza que quer partilhar esta aventura comigo ? Sabe que vou contra a lei e as ordens ( de Salazar ) ! "

O secretário responde-lhe : " Excelência, pela primeira vez na minha vida tenho orgulho em ser Português ! "

Nuno


De Paulo Sousa a 8 de Setembro de 2010 às 22:31
Acho que Sousa Mendes é um herói ainda pouco conhecido pelos portugueses, mas comparar o holocausto ao caso dos ciganos em França (pelo que sei aceitaram dinheiro para não regressar a França, dizendo aos media que regressariam a breve prazo) é desconhecer o que foi o holocausto. Pelo que já li do Nuno sei que sabe o que foi o holocausto e por isso, permita-me a franqueza de lhe dizer que a comparação não é adequada.


De PortoMaravilha a 9 de Setembro de 2010 às 21:19
Olá !

Concordo consigo. A comparação não é adequada nem possível quanto ao Holocausto.

Não foi o meu intento.

Mas há que estar atento e, para isso, a memória deve permanecer. Tal como faltam ruas, em Portugal, com o nome Souza Mendes.

Os "roms" não foram enviados para campos da morte.

Nem a Bulgária nem a Roménia são, hoje em dia, os campos da morte.

Chocou-me isso sim a forma : Porquê separar as mães e os pais dos filhos ? Porquê estigmatizar uma comunidade publicamente ?

Qual o interesse político futuro ?

Uma coisa é certa : A denúncia desta forma de procedimento é, primeiramente, um acto de políticos de direita ( Gaulistas ). A esquerda tomará o comboio em andamento. Se é que os Gaulistas são de direita . Se calhar são pré-históricos !

Abraço,

Nuno




De Paulo Sousa a 10 de Setembro de 2010 às 01:08
Não sei responder às suas questões, que não serão mais que uma reflexão sobre o que poderá ter sido uma manobra política que não atingiu os fins previstos, mas todos os países soberanos têm a legitimidade de definir a sua política de recepção de estrangeiros. A Europa precisa de estrangeiros também para corrigir a sua reduzida natalidade, mas isso não é o mesmo que deixar que regras definidas para promover bem estar geral sejam pervertidas e utilizadas para usufruto individual.
Já aqui falamos da dignidade humana e estou em crer que esta só existirá para quem faz por merecer um tratamento digno e não para os que se recusam em entrarem no sistema. Posso estar enganado, mas isto é o que penso.
Um abraço


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