Actualidade e lugares
Domingo, 17 de Outubro de 2010
O malfadado OE2011

Há varias semanas que o principal assunto da vida política nacional é o Orçamento de Estado 2011. Deixou de haver vida (política) para além do défice, e isso colocou todo o país à beira de um ataque de nervos.

Para uns a culpa é da crise e da ganância dos neo-liberais de Wall Street e até dizem que o mundo mudou nos últimos quinze dias, estranho não bocejarem durante a frase pois antes disso, e apesar dos avisos, deviam estar a dormir. Outros dizem que a situação exige responsabilidade e talvez por isso sabem que não podem contar com o BE nem com o PCP. Outros ainda deveriam lembrar que há pouco mais de um ano, durante a campanha eleitoral, avisaram que tudo isto iria acontecer e que estão na oposição porque os portugueses preferiram acreditar na poesia socialista. Em vez disso deixaram-se encurralar pelo PM e os seus chacais, chegando a uma situação em que aparentemente têm de escolher entre o suicídio político e a falta à palavra dada.

Será mesmo que o chumbo do OE por parte do PSD seria um suicídio político, nomeadamente do seu líder PPC? O que pensariam os portugueses se PPC se assumisse como um escravo da sua palavra e chumbasse o OE, simplesmente porque o disse quando deixou passar o PEC II. Seria interessante ver a reacção dos portugueses, habituados a políticos mentirosos e bem sucedidos, perante alguém que simplesmente assume o que diz.

Valerá a pena perder a palavra para manter um equilíbrio falso e podre? O que ganharemos com isso? A lógica imediatista do xadrez político dirá que ao PSD interessa adiar as próximas legislativa, porque é previsível que quanto mais tarde mais escândalos o PS transportará consigo. Mas no cenário do OE passar, o que fará o PSD caso o Governo peça de seguida uma moção de confiança?

Segundo o Semanário Sol, o chumbo do OE poderia levar três bancos 'ao fundo'. Ao ler isto pensei que se um deles não será o financiou esse mesmo jornal. Esta frase é também um bom exemplo do sucesso dos spin doctors de Sócrates, pois faz sentido que as consequências que todos temem possam ocorrer sim na sequência da demissão do Governo, que se fosse responsável (já nem digo que não nos colocaria na actual situação) teria de negociar o actual OE, e em vez de se demitir deveria apresentar um segundo orçamento.

PPC além destas questões, e de outras que não serão conhecidas do grande público, tem também de conseguir convencer os deputados do PSD a votar contra, e importa lembrar que os deputados do PSD foram escolhidos pela anterior Direcção que sabemos ser partidária da abstenção. Caso seja essa a indicação de voto do partido, quantos a seguirão ou quantos estarão presentes durante a votação? Este é também um problema que decorre das guerras internas do PSD.

Ouvi há dias, e não podia estar mais de acordo, que os próximos dias ficaremos a conhecer a verdadeira essência política dos actuais intervenientes da política nacional.

Aguardemos então com a serenidade característica de um povo com consegue ser sereno, mesmo quando está a ser espancado.

 



publicado por Paulo Sousa às 08:00
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13 comentários:
De Eduardo Louro a 18 de Outubro de 2010 às 22:14
Quem estiver à espera dos próximos dias para "conhecer a verdadeira essência política dos actuais intervenientes da política" tem andado muito distraído. Ou então sofre de graves dificuldades de aprendizagem...
Também o PPC não precisa de se preocupar em convencer os deputados a votar contra. Eles (e os outros todos - Cavaco, Manuela, Rangel, banqueiros, Durão, Merckel, e tuti quanti) é que já o convenceram a ele, como se vê.


De Paulo Sousa a 19 de Outubro de 2010 às 23:02
Decidindo o contrário seria uma surpresa e aí poderia revelar-se diferente. O preço a pagar seria pesado? Seria. E este será leve? Sem perspectivas de mudança de trajectória e de estilo, em breve estaremos no PEC IV.


De a.marques a 19 de Outubro de 2010 às 13:17
Eu considero-me um pacóvio vindo de lá do meio das estevas com a sacola ás costas. Mas francamente, na era da informática os velhos merceeiros de bata de lixívia dos anos anos 50 do século passado iriam ter vergonha. Isto em vez de orçamento de estado não passa de uma sebenta de merceeiro dos fiados apontado nas paredes com tições de carvão das sobras da braseira . Teixeira Santos deu no condutor do burro da carqueja que merca com o dedo a carregar no prato da balança. Vende cimento de cola por açúcar !


De Paulo Sousa a 19 de Outubro de 2010 às 23:05
Já era da informática e da ciência económica, houve quem declarasse que o país estava de tanga e fosse gozado por isso. A distância entre esse momento e o actual muro foi-se reduzindo com o tempo e agora é o tempo de recuar.


De scp50 a 19 de Outubro de 2010 às 15:15
Absolutamente de acordo com o texto. Aliás, depois de ter lido e ouvdo na última semana, centenas de textos e comentários de toda aespécie de gente, este coloca a questão exactamente onde ela deve ser colocada.
É ou quer ser PPC o líder que o Povo Português quer e o País precisa, ou não passará de mais um protagonista menor da baixa política que nos tem governado nos últimos 26 anos ?


De Paulo Sousa a 19 de Outubro de 2010 às 23:10
Tenho pena mas também não me consigo entusiasmar com PPC.
Esta teria sido uma oportunidade para mostrar que era diferente, mas como vimos é pressionável, tem medo da opinião pública e fez o que os seus pares achavam que devia fazer...
Pode ser que faça por ocorrer outras oportunidades e que saiba tirar partido delas. Talvez o faça numa manhã de nevoeiro...


De Ricardo a 19 de Outubro de 2010 às 15:18
Cada vez mais lembro-me da música "Muda de Vida" do António Variações, recuperada há poucos anos pelos Humanos. É do que precisamos urgentemente, é necessário mudar a classe política que temos, PS e PSD principalmente. Tem de aparecer uma figura pública, conhecida da maioria dos portugueses, com coragem, conhecimento e vontade de mudar o rumo do país, já estamos fartos dos políticos e dos partidos que temos. Vejam os candidatos a Presidente da República, vai ser mais uma vitória do Cavaco Silva de certeza. Vamos todos às urnas votar em branco até que apareçam candidatos e partidos diferentes dos actuais. Há que arriscar, há que mudar, há que acabar com este "vírus" instalado na política e governação portuguesa.


De joaquim a 19 de Outubro de 2010 às 17:48
Viva o Partido do P.o.v.o. O dinheiro para pagar a crise vem todo deste partido.


De Paulo Sousa a 19 de Outubro de 2010 às 23:23
Vivemos há séculos à espera de um D.Sebastião salvador milagreiro que nos faça fazer o que não conseguimos fazer sozinhos.
Há pouca escolha entre os políticos que se nos apresentam, mas pode ser que um dia ,numa manhã de nevoeiro, surja um que resolva as coisas.


De moreira56 a 19 de Outubro de 2010 às 18:15
Todos desabafamos por causa do orçamento para 2011. Até parece que não vimos televisão e lemos jornais . Assim de um dia para o outro caiu-nos o tecto em cima . Tudo porque não queremos ver e ouvir o que nos chega do exterior, em especial da Europa. Continuamos iguais a nós mesmos. Só acreditamos nos que se lamentam e se valem de uma crise que infelizmente é de âmbito global para levarem a agua a seu moinho. Para que vivêssemos melhor era preciso que nos tivesse-mos precavido à várias décadas . Todos tivemos culpa pelos governos que elegemos. Pelas associações de trabalhadores e patronais que temos. Á varias décadas que Portugal é dependente do exterior em vários sectores, em especial financeiro. Portanto se de um momento para outro o mundo deixasse de viver em crise continuaríamos a viver acima das nossas possibilidades . Mas como infelizmente acho que não vai ser assim, o melhor é aceitar o que me é proposto . Porque quem não foi capaz quando estiveram no governo em tempos de acalmia financeira bem melhor do que o actual, também não acredito que fossem capazes de fazer melhor . Países que tem mais riqueza que nós ? Sim quase todos. Com melhores salários e reformas? Sim quase todos. Com melhor saúde alimentação? Sim quase todos. Quase todos os outros países estão em melhor situação financeira. Mas sempre assim foi. Alguma vez esses países em plena crise iriam dar-nos o que lhes faz falta ? Para que uma casa não caia quando chega o temporal, é preciso que esteja solida tal como a nossa economia deveria estar solida antes de a crise chegar. Porque como diz o ditado, casa onde não à pão tudo ralha mas ninguém tem razão


De Paulo Sousa a 19 de Outubro de 2010 às 23:35
Á excepção de um período de menos de dois anos em que alguém disse que estávamos de tanga e o então PR lembrou que 'há mais vida além do défice', fomos nos últimos quinze anos governados por socialistas. Muitos dirão que com o PSD estaríamos na mesma, talvez sim, mas chegamos a este ponto, com um Estado sobre-dimensionado e ineficiente, com uma economia frágil, com uma classe média empobrecida e endividada e com os amigos do PM todos bem amanhados e a culpa que aponto ao PSD é a de não ter sido capaz de se apresentar como alternativa válida, o que é diferente de ser responsável material pelas irresponsabilidades que todos teremos de pagar. Dizer que a nossa crise tem três anos é desconhecer a realidade.
Segundo a lógica das sociedade democráticas o próximo ciclo político seria liderado por outra força política que só pela normal mudança de estilo daria um folgo aos nervos dos portugueses. Aguardemos


De Paulo Sousa a 20 de Outubro de 2010 às 14:27


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de Daniel Innerarity

 

Um livro que aposta numa política do optimismo e da esperança numa ocasião em que diminui a confiança no futuro. Boa parte dos nossos mal-estares e da nossa pouca racionalidade colectiva provém de que as sociedades democráticas não mantêm boas relações com o futuro. Em primeiro lugar, porque todo o sistema político, e a cultura em geral, estão virados apenas para o presente imediato e porque o nosso relacionamento com o futuro colectivo não é de esperança e projecto mas de precaução e improvisação. Este livro procura contribuir para uma nova teoria do tempo social na perspectiva das relações que a sociedade mantém com o seu futuro: de como este é antevisto, decidido e configurado. Para que a acção não seja reacção insignificante e o projecto se não converta em idealismo utópico, é necessária uma política que faça do futuro a sua tarefa fundamental

 


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