Actualidade e lugares
Sábado, 16 de Abril de 2011
Leitura recomendada

 

"No reino dos seres vivos, o ser humano é o único que sabe que há futuro. Se os humanos se preocupam e esperam é porque sabem que o futuro existe, que ele pode ser melhor ou pior e que isso depende, em certa medida, deles próprios. Mas saber isto não implica que eles saibam também o que devem fazer com esse saber. E reprimem-no com frequência, porque pensar no futuro distorce a comodidade do agora, que costuma ser mais poderoso do que o futuro porque é presente e é certo; o futuro é, em contrapartida, uma coisa que tem de ser imaginada antecipadamente e que por isso mesmo é sempre incerta. Dar-se bem com o seu futuro não é tarefa fácil, para a qual o instinto nos tenha assegurado a impossibilidade de engano; por isso é muito frequente que nos relacionemos mal com ele e o temamos em demasia ou que esperemos contra todas as evidências, que nos preocupemos excessivamente ou muito pouco, que não sejamos capazes de o antever ou de o configurar na medida do possível.

Algo de semelhante acontece com as sociedades: também estas devem desenvolver essa capacidade de olhar para além do momento presente, e também elas o fazem com desigual fortuna. Boa parte dos nossos mal-estares e da nossa pouca racionalidade colectiva provém de que as sociedades democráticas não mantêm boas relações com o futuro. Em primeiro lugar, porque todo o sistema político, e a cultura em geral, se debruçam sobre o presente imediato e porque o nosso relacionamento com o futuro colectivo não é de esperança e projecto mas precaução e improvisação. A partir dos anos 70 do século passado o futuro introduziu-se na nossa agenda, mas menos como âmbito de configuração do que como realidade problemática: irrompem os limites do crescimento e as sombrias perspectivas ecológicas, tematiza-se o risco, instala-se a crise da ideia de progresso… os cidadãos mostram-se céticos perante os convites a avançar para horizontes não imediatos, e os políticos à vontade seguindo-lhe o exemplo. Hipotecamos socialmente o tempo futuro de várias maneiras e exercemos sobre as gerações vindouras uma verdadeira expropriação temporal."



publicado por Paulo Sousa às 08:00
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Obrigado Laura,Apenas aqui poderia ter chegado pel...
magnífico texto.Cheguei aqui através do "Delito".
Lembram-se de quando as taxas ultrapassaram os 7% ...
Se o discurso do sr burlão da ONU fosse de apoio a...
Um título alternativo: "A realidade não é uma cons...
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O Futuro e os seus inimigos

 

de Daniel Innerarity

 

Um livro que aposta numa política do optimismo e da esperança numa ocasião em que diminui a confiança no futuro. Boa parte dos nossos mal-estares e da nossa pouca racionalidade colectiva provém de que as sociedades democráticas não mantêm boas relações com o futuro. Em primeiro lugar, porque todo o sistema político, e a cultura em geral, estão virados apenas para o presente imediato e porque o nosso relacionamento com o futuro colectivo não é de esperança e projecto mas de precaução e improvisação. Este livro procura contribuir para uma nova teoria do tempo social na perspectiva das relações que a sociedade mantém com o seu futuro: de como este é antevisto, decidido e configurado. Para que a acção não seja reacção insignificante e o projecto se não converta em idealismo utópico, é necessária uma política que faça do futuro a sua tarefa fundamental

 


Teorema

 


 

 




 

Cachimbos: Marcas, Fabricantes e Artesãos

 

 

de José Manuel Lopes

 

 

 

O mais completo livro sobre cachimbos, da autoria do jornalista José Manuel Lopes, presidente do Cachimbo Clube de Portugal. Profusamente ilustrada, esta obra a que poderíamos chamar enciclopédica, dá-nos ainda em anexo uma completíssima lista de clubes e associações do mundo inteiro e dos seus sites.


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