Actualidade e lugares

Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010
Para ler até ao fim II

Carta de Henrique Raposo a Jorge Coelho


Caro Dr. Jorge Coelho, como sabe, V. Exa. enviou-me uma carta, com conhecimento para a direcção deste jornal. Aqui fica a minha resposta.

 

Em 'O Governo e a Mota-Engil' (crónica do sítio do Expresso), eu apontei para um facto que estava no Orçamento do Estado (OE): a Ascendi, empresa da Mota-Engil, iria receber 587 milhões de euros. Olhando para este pornográfico número, e seguindo o economista Álvaro Santos Pereira, constatei o óbvio: no mínimo, esta transferência de 587 milhões seria escandalosa (este valor representa mais de metade da receita que resultará do aumento do IVA). Eu escrevi este texto às nove da manhã. À tarde, quando o meu texto já circulava pela internet, a Ascendi apontou para um "lapso" do OE: afinal, a empresa só tem direito a 150 milhões, e não a 587 milhões. Durante a tarde, o sítio do Expresso fez uma notícia sobre esse lapso, à qual foi anexada o meu texto. À noite, a SIC falou sobre o assunto. Ora, perante isto, V. Exa. fez uma carta a pedir que eu me retractasse. Mas, meu caro amigo, o lapso não é meu. O lapso é de Teixeira dos Santos e de Sócrates. A sua carta parece que parte do pressuposto de que os 587 milhões saíram da minha pérfida imaginação. Meu caro, quando eu escrevi o texto, o 'lapso' era um 'facto' consagrado no OE. V. Exa. quer explicações? Peça-as ao ministro das Finanças. Mas não deixo de registar o seguinte: V. Exa. quer que um Zé Ninguém peça desculpas por um erro cometido pelos dois homens mais poderosos do país. Isto até parece brincadeirinha.

 

Depois, V. Exa. não gostou de ler este meu desejo utópico: "quando é que Jorge Coelho e a Mota-Engil desaparecem do centro da nossa vida política?". A isto, V. Exa. respondeu com um excelso "servi a Causa Pública durante mais de 20 anos". Bravo.. Mas eu também sirvo a causa pública. Além de registar os "lapsos" de 500 milhões, o meu serviço à causa pública passa por dizer aquilo que penso e sinto. E, neste momento, estou farto das PPP de betão, estou farto das estradas que ninguém usa, e estou farto das construtoras que fizeram esse mar de betão e alcatrão. No fundo, eu estou farto do actual modelo económico assente numa espécie de new deal entre políticos e as construtoras. Porque este modelo fez muito mal a Portugal, meu caro Jorge Coelho. O modelo económico que enriqueceu a sua empresa é o modelo económico que empobreceu Portugal. Não, não comece a abanar a cabeça, porque eu não estou a falar em teorias da conspiração. Não estou a dizer que Sócrates governou com o objectivo de enriquecer as construtoras. Nunca lhe faria esse favor, meu caro. Estou apenas a dizer que esse modelo foi uma escolha política desastrosa para o país. A culpa não é sua, mas sim dos partidos, sobretudo do PS. Mas, se não se importa, eu tenho o direito a estar farto de ver os construtores no centro da vida colectiva do meu país. Foi este excesso de construção que arruinou Portugal, foi este excesso de investimento em bens não-transaccionáveis que destruiu o meu futuro próximo. No dia em que V. Exa. inventar a obra pública exportável, venho aqui retractar-me com uma simples frase: "eu estava errado, o dr. Jorge Coelho é um visionário e as construtoras civis devem ser o Alfa e o Ómega da nossa economia". Até lá, se não se importa, tenho direito a estar farto deste new deal entre políticos e construtores.



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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010
Para ler até ao fim

Entrevista de Henrique Neto a Anabela Mota Ribeiro no "Jornal Económico"

 

Uma vez, fui a um debate em Peniche, conhecia o Sócrates de vista. Isto antes do Governo Guterres. Não sabia muito de ambiente, mas tinha lido umas coisas, tinha formado a minha opinião. O Sócrates começou a falar e pensei: “Este gajo não percebe nada disto”. Mas ele falava com aquela propriedade com que ainda hoje fala, sobre aquilo de que não sabe. Eu, que nunca tinha ouvido o homem falar, pensei: “Este gajo é um aldrabão, é um vendedor de automóveis. Ainda hoje lhe chamo vendedor de automóveis".

"Quando se pôs a hipótese de ele vir a ser secretário-geral do PS, achei uma coisa indescritível. Era a selecção pela falta de qualidade. O PS tem muita gente de qualidade. Sempre achei que o PS entregue a um tipo como o

Sócrates só podia dar asneira".

"Gosto muito de Portugal – se tiver uma paixão é Portugal – e não gosto de ninguém que dê cabo dele. O Sócrates está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto. Entre o mal que faz e o bem que faz, com o Sócrates, a relação é desastrada".

"Há caras de que gostamos mais e outras menos, mas não me pesa assim tanto. Além do facto de que estou convencido de que ele não é sério, também noutros campos. Conheci a vida privada do Sócrates, ele casou com uma moça de Leiria, de quem conheço a família. Sou amigo do pai dela, que foi o meu arquitecto para a casa de São Pedro de Moel. Esta pequena decoração que vê aqui [em casa] foi feita pela cunhada do Sócrates. Às vezes compro umas pinturas que a mãe delas faz. Nunca fui próximo da família, mas tenho boas relações. Não mereciam o Sócrates. Portanto, sei quem é o Sócrates num ambiente familiar. Sei que é um indivíduo que teve uma infância complicada, que é inseguro por força disso, que cobre a sua insegurança com a arrogância e com aquelas crispações. Mas um País não pode sofrer de coisas dessas".

"Escrevi uma carta ao Guterres, que foi publicada, em que lhe disse coisas que digo do Sócrates. Era deputado quando escrevi a carta, era da comissão política do Partido Socialista. Foi na fase de Pina Moura e daqueles descalabros todos. Na comissão política, estão publicadas algumas dessas coisas, [sobre] os negócios do Jorge Coelho e do Pina Moura. Depois de ter falado disso tudo em duas ou três reuniões e não ter acontecido nada, escrevi uma carta e mandei ao Guterres. Ele distribuiu a carta. No outro dia veio nos jornais. Era uma carta duríssima. Os problemas eram os mesmos, estávamos a caminhar mal, estávamos a enganar os portugueses, a dizer que a economia estava na maior, quando não era verdade. Na altura já falava com o Medina Carreira e ele já falava comigo".

"Quando o Pina Moura foi ministro das Finanças, uma senhora das Finanças instalou-se lá na empresa. Nunca contei isto. Encontrava-a no elevador, nunca falei com ela, “bom dia Sra. Dr.a.”. Mas os meus homens contavam-me. Andou à procura, à procura, à procura como uma doida. Esteve lá alguns dois anos. As coisas não são impunes, a gente paga-as neste mundo. Disse o que quis do Pina Moura, da maioria desses gajos; era natural que se defendessem. Os seus colegas jornalistas muitas vezes foram ao Pina Moura com o que eu disse; e ele: “Não comento”. O Guterres também não comentava, e o Sócrates também não comenta. Aliás, quando faço uma intervenção ao pé dele fica histérico, não me pergunte porquê".

1"Estudei um pouco da história portuguesa, nomeadamente dos Descobrimentos; fizemos erros absurdos. Um dos erros é deixarmo-nos enganar, ou pelos interesses, ou pela burrice. O poder, os interesses e a burrice é explosivo. Descambámos no Sócrates, que tem exactamente estas três qualidades, ou defeitos: autoridade, poder, ignorância. E fala mentira. Somos um País que devia usar a inteligência e o debate para resolver os problemas, e temos dirigentes que utilizam a mentira e evitam o debate".

"A última comissão política do PS foi feita no dia em que o Sócrates anunciou estas medidas todas. Convocou a comissão política depois de sair da conferência de imprensa, para o mesmo dia, à última da hora, para ninguém ir preparado – primeira questão. Segunda questão, organizou o grupo dos seus fiéis para fazer intervenções umas a seguir às outras, a apoiar, para que não houvesse vozes discordantes. A ideia dele era que o Partido Socialista apoiasse as medidas. Fez medidas tramadas, toda a gente sabe. O mínimo era que o partido as apoiasse. Mas não falou antes. Depois o Almeida Santos fez aquilo que faz sempre: uma pessoa pode inscrever-se primeiro, mas o Almeida Santos só dá a palavra a quem acha. Os que acha que vão dizer o que não quer que digam, só vêm no fim. E no fim: “Isto está tarde, está na hora de jantar”. Isto é uma máfia que ganhou experiência na maçonaria. O Arq. Fava é maçónico, o Sócrates entrou por essa via, e os outros todos. Até o Procurador-Geral da República. Utiliza-se depois as técnicas da maçonaria – não é a maçonaria – para controlar a sua verdade. Os sucessivos governos, este em particular, pintam uma imagem cor-de-rosa da economia portuguesa. Isto é enganar as pessoas sistematicamente.

Depois aparecem críticos como o Medina Carreira ou eu a chamar a atenção para a realidade do País – chamam-nos miserabilistas! E quando podem exercem pressão nos lugares onde estão esses críticos e se puderem impedir a sua promoção ou acesso aos meios de informação, não hesitam. Isto era o que se passava antes do 25 de Abril, agora passa-se em liberdade, condicionando as pessoas, e usando o medo que têm de perder o emprego. José Sócrates, na última Comissão Política do PS, defendeu a necessidade das severas medidas assumidas pelo Governo, mas também disse que era muito difícil cortar na despesa do Estado porque a base de apoio do PS está na Administração Pública. Disse-o lá, e pediu para isso a compreensão dos presentes. Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis, ser-me ia indiferente. Mas ele é o primeiro-ministro e está a dar cabo do meu País. Não é o único, mas é o mais importante de todos".



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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010
Re-escrever a história

Tentar re-escrever a história é uma prática milenar. É frequente quando se quer desdizer o que se disse, ou desfazer o que se fez. No passado longínquo, onde a informação circulava a passo de caracol, as hipóteses de sucesso eram significativas, especialmente em determinados níveis de poder. Nos dias de hoje, tentar fazê-lo é arriscado até porque o ridículo fica logo ali ao lado.

"O ex-presidente da República Jorge Sampaio negou hoje que tenha afirmado, em 2003, que “há mais vida além do défice”, frisando que se referia ao orçamento.

 



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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
Para ler sem falta

"Bancarrota Sócrates - Este poderá ser o nome que os historiadores irão atribuir no futuro ao período entre 2005 e 2011..."

 

É assim que começa um excelente post de Nuno Gouveia no Cachimbo de Magritte cuja leitura recomendo.



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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010
Quero a minha sanidade de volta!!

 

Desde que se começou a falar na vinda do FMI para ajudar Portugal a controlar o défice orçamental, que todos aqueles que se incomodam com a inúmeras e infindáveis mentiras de Sócrates, nos quais eu me incluo, que começaram a achar que o regresso do FMI ao nosso país seria o atestado inequívoco da incompetência de quem nos tem governado. Perante esse facto até os cidadãos honestos que repetidamente foram enganados nas campanhas para as legislativas, concluiriam que, de facto, tínhamos de mudar de rumo.

Recordar a hostilidade com que todos os opositores do Governo foram tratados desde há cinco anos, ajuda a entender este desejo de ver Sócrates ser afastado com o enxovalho possível.

Há uns meses Sócrates acreditou que com um pouco de arrogância, a desnorteada oposição ficaria atarantada e encolher-se-ia, mas como o assunto em causa são números, são contas públicas e não sondagens, e ter-se-á esquecido que os analistas financeiros não são eleitores, nem precisam de ser amigos do PS para assegurar o emprego e por isso cingiram-se a fazer o seu trabalho de avaliar a credibilidade das economias. O resultado já é de todos conhecido.

Perante o inegável e insustentável desconforto do Governo, todos os que querem ver José Sócrates dali pra fora, e que são cada vez mais, acabam por desejar que o mais rapidamente possível chegue o FMI, que o amarre, silencie e nos devolva a sanidade.

 

É normal que um cidadão que gosta de acreditar que vive numa sociedade democrática, deseje isto aos representantes do seu país?

 

Como é que chegamos a este ponto?



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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010
Sentido de oportunidade

"Ser socialista, em Portugal, é ser social-democrata na Suécia, na Finlândia, na Dinamarca, na Holanda, na Noruega, etc."

 

Esta frase é Luis Novais Tito num post do seu blog A barbearia do senhor Luís.

 

Depois de ter lido este excerto hoje no Facebook, voltei a ouvir a mesma ideia pela boca do Carlos Magno no Contraditório.

É curioso que há poucos meses o PS assumia-se como a esquerda responsável e realista, e agora, perante a dura realidade do país (causada obviamente pelas declarações do PSD) assim como pelas sondagens, já se estão a posicionar na social-democracia. Não é curioso, mas com o cheiro a eleições no ar mostra um aguçado sentido de oportunidade.

 



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Domingo, 31 de Outubro de 2010
Estamos no ponto de viragem?

Já várias vezes disse que Pedro Passos Coelho não me entusiasma, mas assumo que gostaria bastante de estar enganado.

Ao contrário do que muitos dos esclarecidos analistas que têm avaliado como desastrosa a estratégia de negociar a abstenção ao OE com o governo (não estamos a falar de um voto favorável), parece que PPC está a conseguir levar a água ao seu moinho. Pelo caminho soube lidar com a retirada de apoio dos chamados notáveis do partido, e até de Angelo Correia, o seu mentor político, mostrando assim alguma teimosia e até coragem política.

Os mesmos analistas também já tinham criticado PPC pelo momento escolhido para o lançamento da revisão constitucional, que lhe terá custado alguns pontos nas sondagens.

Segundo a sondagem da Universidade Católica divulgada esta semana, o PSD descolou do empate recente e subiu para os 40% das intenções de voto, enquanto o PS desceu para 26%, valor que já não verificava desde o final dos anos 80.

 

Olhando para imagem acima o que imediatamente pensei foi que com a arrogância que o PS (Partido Sócrates) nos tem habituado, o espaço a cinzento entre as bancadas laranja e rosa terá de ser ocupado por stewards.

Perante estes dados, que surgem exactamente na sequência da dita negociação do OE, os mesmos sempre infalíveis analistas dirão que tudo resulta de um acaso e da incompetência do Governo, até porque em democracia a oposição nunca conquista o poder mas é quem está no poder que se deixa derrotar.

Mas enquanto eles ridicularizam a estratégia do PSD, PPC além de ter lançado a revisão constitucional, afirmou há dias que "há direitos adquiridos que o deixam de ser quando o Estado não os puder resolver". Apesar de óbvia esta declaração merece um destaque que os media não lhe reconheceram. Ao violar a fronteira do politicamente correcto em matérias que nenhum político ousou beliscar nas últimas décadas, PPC assumiu que tem de se mexer nos direitos dos intocáveis, e a revisão constitucional está em curso. Dessa forma ganha legitimidade para o fazer caso venha a ser eleito, o que a cada dia que passa se torna mais inevitável.

Independentemente da sua capacidade levar a cabo as mudanças necessárias para que o país volte a devolver a economia à iniciativa privada e assim volte a criar a riqueza para conseguir pagar as dívidas criadas pela bebedeira socialista que vivemos nos últimos 15 anos, o que o eleitorado não duvida é que o canário canta bem (opinião com a qual nunca concordei) mas está a dar cabo da gaiola e por isso tem de se escolher outro pássaro para o seu lugar. Saiu-nos muito caro  e demorou muitos anos mas espero que esta semana tenha marcado o ponto de viragem.

Quem duvidar, veja esta avaliação do desempenho do Governo, com 80% dos inquiridos classificam como Mau e Muito Mau.

 



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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010
O pântano não assumido mas inequívoco

 

Das negociações entre o PSD e PS, sobre as quais se chegou a pensar que chagariam a bom porto, sobram duas ideias chave:

 

- a posição dialogante de Teixeira dos Santos mudou depois de ter reunido com Sócrates;

- o desvio da execução orçamental do ano corrente é de um valor superior a 2 mil milhões de euros;

 

Quem tivesse dúvidas deixou de as ter. Sócrates procura desesperadamente uma desculpa para se demitir antes da chegada do FMI.



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Terça-feira, 26 de Outubro de 2010
150.000 novos empregos

 

No passado dia 11 o Liberation fez noticia sobre um assunto que parece ser tabu nos media portugueses. Desde há cinco anos emigraram 350.000 portugueses! Todos os portugueses conhecem alguém que emigrou há poucos anos, mesmo antes da famosa crise financeira internacional.

Os principais destinos são o Reino Unido, Espanha, Suiça e Angola.

Este será também um dos legados da governação socialista.



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Domingo, 17 de Outubro de 2010
O malfadado OE2011

Há varias semanas que o principal assunto da vida política nacional é o Orçamento de Estado 2011. Deixou de haver vida (política) para além do défice, e isso colocou todo o país à beira de um ataque de nervos.

Para uns a culpa é da crise e da ganância dos neo-liberais de Wall Street e até dizem que o mundo mudou nos últimos quinze dias, estranho não bocejarem durante a frase pois antes disso, e apesar dos avisos, deviam estar a dormir. Outros dizem que a situação exige responsabilidade e talvez por isso sabem que não podem contar com o BE nem com o PCP. Outros ainda deveriam lembrar que há pouco mais de um ano, durante a campanha eleitoral, avisaram que tudo isto iria acontecer e que estão na oposição porque os portugueses preferiram acreditar na poesia socialista. Em vez disso deixaram-se encurralar pelo PM e os seus chacais, chegando a uma situação em que aparentemente têm de escolher entre o suicídio político e a falta à palavra dada.

Será mesmo que o chumbo do OE por parte do PSD seria um suicídio político, nomeadamente do seu líder PPC? O que pensariam os portugueses se PPC se assumisse como um escravo da sua palavra e chumbasse o OE, simplesmente porque o disse quando deixou passar o PEC II. Seria interessante ver a reacção dos portugueses, habituados a políticos mentirosos e bem sucedidos, perante alguém que simplesmente assume o que diz.

Valerá a pena perder a palavra para manter um equilíbrio falso e podre? O que ganharemos com isso? A lógica imediatista do xadrez político dirá que ao PSD interessa adiar as próximas legislativa, porque é previsível que quanto mais tarde mais escândalos o PS transportará consigo. Mas no cenário do OE passar, o que fará o PSD caso o Governo peça de seguida uma moção de confiança?

Segundo o Semanário Sol, o chumbo do OE poderia levar três bancos 'ao fundo'. Ao ler isto pensei que se um deles não será o financiou esse mesmo jornal. Esta frase é também um bom exemplo do sucesso dos spin doctors de Sócrates, pois faz sentido que as consequências que todos temem possam ocorrer sim na sequência da demissão do Governo, que se fosse responsável (já nem digo que não nos colocaria na actual situação) teria de negociar o actual OE, e em vez de se demitir deveria apresentar um segundo orçamento.

PPC além destas questões, e de outras que não serão conhecidas do grande público, tem também de conseguir convencer os deputados do PSD a votar contra, e importa lembrar que os deputados do PSD foram escolhidos pela anterior Direcção que sabemos ser partidária da abstenção. Caso seja essa a indicação de voto do partido, quantos a seguirão ou quantos estarão presentes durante a votação? Este é também um problema que decorre das guerras internas do PSD.

Ouvi há dias, e não podia estar mais de acordo, que os próximos dias ficaremos a conhecer a verdadeira essência política dos actuais intervenientes da política nacional.

Aguardemos então com a serenidade característica de um povo com consegue ser sereno, mesmo quando está a ser espancado.

 



publicado por Paulo Sousa às 08:00
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010
Estado social?

Falar de “Estado social” faz tanto sentido como falar de uma Inquisição tolerante ou de uma Máfia honesta.

 

Ler o resto aqui



publicado por Paulo Sousa às 14:00
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Sábado, 25 de Setembro de 2010
Pensamento do dia

Com o FMI sairemos finalmente da Irreal Politik que vivemos desde 1995



publicado por Paulo Sousa às 09:00
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010
Frases que ficam

"Há muito tempo para falar de dívida"

José Sócrates, hoje

 

 

Olhando para o gráfico lembro-me do longínquo ano de 1995 em que António Guterres tomou posse como Primeiro-Ministro de Portugal.



publicado por Paulo Sousa às 23:30
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Parece que foi há tantos anos...

No longínquo Agosto de 2009...

 



publicado por Paulo Sousa às 00:00
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Quinta-feira, 5 de Agosto de 2010
Aconteceu num paraíso socialista

Segundo o jornal Le Figaro, Kim Jong-hun, o treinador da selecção de futebol da Coreia do Norte no último mundial, ao chegar ao seu país, foi humilhado em público, expulso do partido e condenado a trabalhos forçados.

De acordo com o que relata o jornal francês, depois da derrota honrosa por 2-1 contra o Brasil, as autoridades decidiram transmitir em directo o jogo contra Portugal, na que terá sido a primeira transmissão em directo da TV norte-coreana. O resultado do jogo sabemos qual foi, mas como os desafios se prolongam para além do apito do árbitro, o 7-0 teve este desfecho.



publicado por Paulo Sousa às 14:00
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Domingo, 1 de Agosto de 2010
Navegações

Recomendo a leitura deste texto de José Manuel Fernandes no Blasfémias, que relata na primeira pessoa a herança socialista nos atentados à liberdade de imprensa.

Os apoiantes de Jose Socrates não precisam de ler para não se arreliarem.



publicado por Paulo Sousa às 20:00
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Pobres, nós? Nãaa!

Recebido por email.

 

"Olá Pessoal,
Um amigo meu estava há uns dias à conversa com um Nova Iorquino no msn, que conhece razoavelmente portugal, pois já cá trabalhou, e ao choradinho tipico dos portugueses, que são pobres e desgraçados ele respondeu assim:
Dizia-lhe eu à boa maneira do "coitadinho" português: Sabes, nós os portugueses, somos pobres ...
Esta foi a sua resposta:
Como podes tu dizer que sois pobres, quando sois capazes de pagar por um litro de gasolina, mais do triplo do que pago eu?
Quando vos dais ao luxo de pagar tarifas de electricidade e de telemóvel 80 % mais caras do que nos custam a nós nos EUA?
Como podes tu dizer que sois pobres quando pagais comissões bancárias por serviços e por cartas de crédito ao triplo que nós pagamos nos EUA?
Ou quando podem pagar por um carro que a mim me custa 12.000 US Dólares (8.320 EUROS) e vocês pagam mais de 20.000 EUROS, pelo mesmo carro?
Podem dar mais de 11.640 EUROS de presente ao vosso governo do que nós ao nosso.
Nós é que somos pobres: por exemplo em New York o Governo Estatal, tendo em conta a precária situação financeira dos seus habitantes cobra somente 2 % de IVA, mais 4% que é o imposto Federal, isto é 6%, nada comparado com os 20% dos ricos que vivem em Portugal. E contentes com estes 20%, pagais ainda impostos municipais.
Além disso, são vocês que têm "impostos de luxo" como são os impostos na gasolina e no gás, álcool, cigarros, cerveja, vinhos etc., que faz com que esses produtos cheguem em certos casos até 300 % do valor original, e outros como imposto sobre a renda, impostos nos salários, impostos sobre automóveis novos, sobre bens pessoais, sobre bens das empresas, de circulação automóvel.
Um Banco privado vai à falência e vocês que não têm nada com isso pagam, outro, uma espécie de casino, o vosso BPP quebra, e vocês protegem-no com o dinheiro que enviam para o Estado. E vocês pagam ao vosso Governador do Banco de Portugal, um vencimento anual que é quase 3 vezes mais que o do Governador do Banco Federal dos EUA...
Um país que é capaz de cobrar o Imposto sobre Ganhos por adiantado e Bens pessoais mediante retenções, necessariamente tem de nadar na abundância, porque considera que os negócios da Nação e de todos os seus habitantes sempre terão ganhos apesar dos assaltos, do saque fiscal, da corrupção dos seus governantes e dos seus autarcas. Um país capaz de pagar salários irreais aos seus funcionários de estado.

Os pobres somos nós, os que vivemos nos USA e que não pagamos impostos sobre a rendimento se ganhamos menos de 3.000 dólares ao mês por pessoa, isto é mais ou menos os vossos 2.080 €uros.

Vocês podem pagar impostos do lixo, sobre o consumo da água, do gás e da electricidade.

Aí pagam segurança privada nos Bancos, urbanizações, municipais, enquanto nós como somos pobres nos conformamos com a segurança pública.

Vocês enviam os filhos para colégios privados, enquanto nós aqui nos EUA as escolas públicas emprestam os livros aos nossos filhos prevendo que não os podemos comprar.
Vocês não são pobres, gastam é muito mal o vosso dinheiro.

Vocês, portugueses, ou são uns estúpidos ou uns mansos."

Discordo totalmente com a conclusão... nada disso, estamos é quase, quase a viver num paraíso socialista.

Quando achamos normal que o Estado não nos deixe decidir sobre o tipo de poupança que pretendemos para a nossa reforma e nos obriga a contribuir para o sistema público, não reparamos que o que em causa não são as Finanças Pùblicas mas sim a liberdade do individuo perante o Estado.

Os exemplos são imensos, basta um pouco de atenção.



publicado por Paulo Sousa às 13:00
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O Futuro e os seus inimigos

 

de Daniel Innerarity

 

Um livro que aposta numa política do optimismo e da esperança numa ocasião em que diminui a confiança no futuro. Boa parte dos nossos mal-estares e da nossa pouca racionalidade colectiva provém de que as sociedades democráticas não mantêm boas relações com o futuro. Em primeiro lugar, porque todo o sistema político, e a cultura em geral, estão virados apenas para o presente imediato e porque o nosso relacionamento com o futuro colectivo não é de esperança e projecto mas de precaução e improvisação. Este livro procura contribuir para uma nova teoria do tempo social na perspectiva das relações que a sociedade mantém com o seu futuro: de como este é antevisto, decidido e configurado. Para que a acção não seja reacção insignificante e o projecto se não converta em idealismo utópico, é necessária uma política que faça do futuro a sua tarefa fundamental

 


Teorema

 


 

 




 

Cachimbos: Marcas, Fabricantes e Artesãos

 

 

de José Manuel Lopes

 

 

 

O mais completo livro sobre cachimbos, da autoria do jornalista José Manuel Lopes, presidente do Cachimbo Clube de Portugal. Profusamente ilustrada, esta obra a que poderíamos chamar enciclopédica, dá-nos ainda em anexo uma completíssima lista de clubes e associações do mundo inteiro e dos seus sites.


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