Actualidade e lugares

Sábado, 12 de Março de 2011
Déjà vu???

"Segundo Manuela Ferreira Leite e PSD há um problema que condiciona todos os outros - a dívida pública portuguesa!!!"

 

Blog Simplex, Blog de apoio à candidatura do PS nas legislativas de 2009.



publicado por Paulo Sousa às 22:00
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Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011
Ainda sobre o caso do cartão de eleitor

Muita tinta já correu sobre os problemas causados pela introdução do cartão do cidadão nas últimas eleições.

Após as conclusões do inquérito que pouco a pouco se vão tornando públicas e perante a insistente recusa do Ministro Pereira em assumir qualquer responsabilidade, podemos dizer que estamos perante um caso que serve para demonstrar que os actuais governantes não assumem, nem assumirão, as responsabilidades pelo estado em que deixarão o país após quinze, ou dezasseis anos de governação. Quem se surpreender que se levante, que eu fico sentado.

Mas para além disso serve, ou devia servir, para avaliar as consequências de afastar dos lugares de decisão da administração pública os quadros de topo que permanecem mesmo quando os governos mudam, ao invés de os preencher com boys, formalmente definidos como 'cargos de confiança política'.

Em Itália, um país que transmite consistentemente sinais de que tem uma classe política de medíocre gabarito, consegue que os serviços prestados pelo estado não dependam directamente de tais senhores, pois os respectivos funcionários evoluem dentro dos serviços, chegam ao topo da carreira com responsabilidades e lá se mantêm mesmo quando mudam os governos. Pode ver-se isso, no ensino, na saúde, na administração pública, na justiça, etc.

Nesse cenário e perante um caso como o que agora debatemos, poder-se-iam exigir responsabilidades formais, cíveis até, sobre quem não cumpriu o seu papel, ao invés de apenas exigir uma demissão política sem consequências além da mudança da fauna em questão.

Mais do que pedir a cabeça do ministro, gostava de ouvir o PSD a manifestar-se sobre este assunto.



publicado por Paulo Sousa às 08:00
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Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011
Austeridade - No passará!!

Quando vemos empresas a fechar por não suportarem tantos impostos e exigências por parte do Estado e os seus empregados a emigrarem, quando vemos filas de carros para abastecer onde o combustível é mais barato uns cêntimos, tentando ingloriamente minimizar o efeito dos mais altos impostos sobre combustível da UE, quando pagamos uma das taxas de IVA mais castradoras do consumo, quando vemos escolas a reduzir os seus quadros em consequência dos cortes orçamentais, quando lembramos com saudade o tempo em que eram as empresas do nosso concelho que mais emprego criavam, ao contrário do que agora acontece, onde além da Câmara são empregadores de referência as Juntas de Freguesia e as Instituições de Solidariedade, não deixa de ser caricato abrir o quinzenário regional O Portomosense e tomar conhecimento que o socialista Governador Civil de Leiria, Paiva de Carvalho conseguiu disponibilizar fundos no montante de 2,3 milhões de euros para a aquisição de viaturas de Bombeiros. Este valor custeará 70% das viaturas, sendo os restantes 30% suportados pelas respectivas corporações.

Era este investimento imprescindível? Não sejas parvo que um investimento na nossa terra é sempre bom. Ok! Mas com que critério foram escolhidas as viaturas?

Carlos Alberto, Comandante dos Bombeiros de Mira de Aire, confessa que "não havia necessidade de um carro tão bom", até pelo que isso representará em termos de esforço financeiro, "quando o que precisávamos mesmo era de viaturas para a secção de São Bento. Embora reconheça que a actual viatura adaptada para desencarceramento está aquém das necessidades, não esconde a sua preferência por um carro mais "modesto em vez de um de 150 mil euros". Acrescenta que a proximidade geográfica a Minde (a menos de 5km, mas já no distrito de Santarém) faz com que estejamos perante uma duplicação de meios. Para resolver o 'problema' dos 30% de 150 mil euros, o Comandante considera a possibilidade de contrair um empréstimo ou então terá de ir bater à porta da Câmara para ver se o podem ajudar.

Os Bombeiros do Juncal também receberam um presente e a população está a preparar diversas iniciativas de forma a angariar fundos para ajudar a corporação. Uma delas será um concurso de sopas e já convidaram um grupo de dançarinas e outro de cavaquinhos para animar o evento.

E tudo vai bem no Reino de Sua Majestade.



publicado por Paulo Sousa às 23:50
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011
Sobre os cortes do financiamento das escolas privadas

O assunto nacional com maior cobertura mediática de ontem foi o protesto das escolas privadas contra os cortes no financiamento decididos pelo governo. Os 110.000 eur anuais por turma serão reduzidos para 80.000 eur, o que corresponde a uma diminuição (ou deverei dizer variação negativa?) de 27%. Em consequência disso algumas escolas irão fechar, mas não todas.

Questionei-me se a redução do financiamento das escolas públicas será da mesma proporção. Não acredito. O instinto de auto-preservação de Sócrates não lhe permite beliscar a coutada do Sr. Nogueira. Não foi bem sucedido quando estava em maré alta e muito menos o seria agora.

Se todo o universo escolar funcionasse em regime idêntico aos dos estabelecimentos que agora protestam, as vantagens orçamentais seriam imensas. A despesa com a educação seria flexível e, lembrando que nove das dez melhores escolas nacionais são privadas, a qualidade do ensino seria superior. Seria o melhor dos dois mundos mas isso colocar-nos-ia numa sociedade neo-liberal. Deus nos livre de semelhante desgraça.

Na conferência de imprensa que deu hoje, a Ministra Alçada, talvez num deslize irreflectido, verbalizou uma ideia que apesar de não ser surpreendente acabou por ser interessante por confirmar um preconceito mal disfarçado.

Segundo nos informou, os valores até agora transferidos permitiam que algumas das escolas «obtivessem elevadas margens de lucro». Lá está, o lucro, o 'mau da fita', o demónio da sociedade socialista. Temos de nos unir para destruir esse monstro.

Nisso o governo é bem sucedido. Estamos quase lá.



publicado por Paulo Sousa às 08:00
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011
Recortes da blogosfera e da imprensa

"Se o FMI viesse pagaríamos uma taxa de juro mais baixa e teríamos a certeza que as medidas de austeridade seriam aplicadas de forma rigorosa e produziriam efeitos positivos. Mas o Primeiro Ministro ficaria coberto de vergonha. Se pagarmos com taxas mais altas para o FMI não vir, salvamos a face de José Sócrates."

 

Recortado daqui.

 

Interessa comparar com este excerto do Público.

 

"Os custos do Governo com a dívida pública devem atingir este ano os 7100 milhões de euros, mais do que o Estado gasta, por exemplo, com todo o Ministério da Educação. A escalada das taxas de juro nos mercados internacionais está a pressionar as contas e vai fazer Portugal gastar, este ano, mais 808 milhões de euros do que aquilo que se previa no Orçamento do Estado (OE). Este valor equivale a quase toda a poupança que o Governo vai obter com o corte de cinco por cento na massa salarial da função pública ou a 80 por cento das receitas extraordinárias decorrentes do aumento do IVA."



publicado por Paulo Sousa às 13:00
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Domingo, 9 de Janeiro de 2011
Sobre o escândalo do BPN

 

Os socialistas portugueses estão escandalizados com o benefício obtido por Aníbal Cavaco Silva num investimento realizado no BPN, o que num país que demoniza o lucro até nem surpreende.

Sabem mas querem ignorar, que a compra de acções fez parte de uma carteira de investimento que incluía a compra de outros títulos de capital.

Sabem mas querem ignorar, que o escândalo do BPN chegou a valores que ainda desconhecemos em detalhe devido a graves falhas da supervisão do BdP. Não lhes interessa que isso seja lembrado pois ninguém deixa de associar as relações entre o ex-Governador Vítor Constâncio e o partido no poder.

Sabem mas querem ignorar, que se a nacionalização que o governo decidiu, num acto de um voluntarismo temerário inédito, se limitasse ao BPN e excluísse a SLN, os cinco mil milhões de euros a que ascenderá o buraco seriam limitados um valor cerca de dez vezes menor.

Sabem mas querem ignorar, que as 90.000 crianças que previsivelmente nascerão em 2011 em Portugal, têm 500€ de dívida como prenda do governo PS, sendo que este valor se refere apenas ao buraco do BPN. Será um cheque-bebé, mas ao contrário.

Não sabem e nem querem saber, que se continuam a falar muito do BPN, eu que não iria votar Cavaco, talvez eu mude de ideias e ainda o venha a fazer.



publicado por Paulo Sousa às 08:00
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Domingo, 2 de Janeiro de 2011
Veremos a confirmação desta antevisão em 2011?

"Graças às inesperadas e arrasadoras medidas recém anunciadas quando às prestações para a Segurança Social, a  imensidão de portugueses que trabalhava a recibo verde vai ter de correr a uma consevatória para criar uma empresa unipessoal. Quem não o fizer será ainda mais penalizado do que já era, e acrescentará à precaridade da sua situação uma pesada contribuição para o famigerado Estado Social de faz-de-conta, que cada dia lhe garante menos apoio em todas as frentes. Mais uma esperteza encapotada deste (des)governo criminoso, que anunciará - aposto! - uma "explosão de novas empresas que revela uma economia florescente e saudável", e arrecadará cerca de quinhentos euros por cada uma delas (o custo inicial aproximado da criação de uma "empresa na hora"). Quantas sobreviverão já é outra história, irrelevante para as estatísticas de crescimento a apresentar, triunfalmente, aos vorazes "mercados" que têm de ser acalmados. Simplex, não?"

 

Roubado daqui.



publicado por Paulo Sousa às 13:00
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Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010
Sobre o visionário fundo para financiar as indemnizações pagas aos trabalhadores em caso de cessação do contrato de trabalho

 

De forma a apoiar as empresas o Governo anunciou a criação de um fundo para financiar as indemnizações pagas aos trabalhadores em caso de cessação do contrato de trabalho. A ministra do Trabalho deixou claro que “não haverá nenhuma contribuição pública” para o fundo, pelo que este terá de ser alimentado exclusivamente com a participação das empresas.

Esta medida é fantástica, ficando apenas por esclarecer se as empresas que, com maior ou menos esforço não despedem, também terão de contribuir para esse fundo. Se tiverem de o fazer, esta medida constituirá apenas num novo e imaginativo encargo para penalizar quem não pratica o que se pretende evitar, o que não poderia ser mais socialista. Se a medida for exclusiva às empresas que despedem, então isto não será mais que um baralhar e dar de novo, pois os encargos do despedimento serão suportados por quem despede, o que vendo bem… já acontece agora.

Falta apenas saber se, num caso ou noutro, as empresas terão de contribuir antes do despedimento ou apenas depois. Se for antes, então isto não será mais que uma antecipação de encargos o que poderá levar a uma antecipação de novos despedimentos. Se for depois, então alguém terá de adiantar o valor da indemnização a receber pelo empregado despedido, mas esse caso será o mais fácil de resolver... manda-se dívida para a China.

Cá por mim, que tenho mau feitio, estamos perante mais uma prova do estado de negação em que vive o Eng. Sócrates.

A única forma de reduzir os encargos para quem despede é limitar os direitos de quem é despedido. Tudo o que for feito além disto não será mais do que poesia sem graça.



publicado por Paulo Sousa às 23:00
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Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010
Para ler até ao fim II

Carta de Henrique Raposo a Jorge Coelho


Caro Dr. Jorge Coelho, como sabe, V. Exa. enviou-me uma carta, com conhecimento para a direcção deste jornal. Aqui fica a minha resposta.

 

Em 'O Governo e a Mota-Engil' (crónica do sítio do Expresso), eu apontei para um facto que estava no Orçamento do Estado (OE): a Ascendi, empresa da Mota-Engil, iria receber 587 milhões de euros. Olhando para este pornográfico número, e seguindo o economista Álvaro Santos Pereira, constatei o óbvio: no mínimo, esta transferência de 587 milhões seria escandalosa (este valor representa mais de metade da receita que resultará do aumento do IVA). Eu escrevi este texto às nove da manhã. À tarde, quando o meu texto já circulava pela internet, a Ascendi apontou para um "lapso" do OE: afinal, a empresa só tem direito a 150 milhões, e não a 587 milhões. Durante a tarde, o sítio do Expresso fez uma notícia sobre esse lapso, à qual foi anexada o meu texto. À noite, a SIC falou sobre o assunto. Ora, perante isto, V. Exa. fez uma carta a pedir que eu me retractasse. Mas, meu caro amigo, o lapso não é meu. O lapso é de Teixeira dos Santos e de Sócrates. A sua carta parece que parte do pressuposto de que os 587 milhões saíram da minha pérfida imaginação. Meu caro, quando eu escrevi o texto, o 'lapso' era um 'facto' consagrado no OE. V. Exa. quer explicações? Peça-as ao ministro das Finanças. Mas não deixo de registar o seguinte: V. Exa. quer que um Zé Ninguém peça desculpas por um erro cometido pelos dois homens mais poderosos do país. Isto até parece brincadeirinha.

 

Depois, V. Exa. não gostou de ler este meu desejo utópico: "quando é que Jorge Coelho e a Mota-Engil desaparecem do centro da nossa vida política?". A isto, V. Exa. respondeu com um excelso "servi a Causa Pública durante mais de 20 anos". Bravo.. Mas eu também sirvo a causa pública. Além de registar os "lapsos" de 500 milhões, o meu serviço à causa pública passa por dizer aquilo que penso e sinto. E, neste momento, estou farto das PPP de betão, estou farto das estradas que ninguém usa, e estou farto das construtoras que fizeram esse mar de betão e alcatrão. No fundo, eu estou farto do actual modelo económico assente numa espécie de new deal entre políticos e as construtoras. Porque este modelo fez muito mal a Portugal, meu caro Jorge Coelho. O modelo económico que enriqueceu a sua empresa é o modelo económico que empobreceu Portugal. Não, não comece a abanar a cabeça, porque eu não estou a falar em teorias da conspiração. Não estou a dizer que Sócrates governou com o objectivo de enriquecer as construtoras. Nunca lhe faria esse favor, meu caro. Estou apenas a dizer que esse modelo foi uma escolha política desastrosa para o país. A culpa não é sua, mas sim dos partidos, sobretudo do PS. Mas, se não se importa, eu tenho o direito a estar farto de ver os construtores no centro da vida colectiva do meu país. Foi este excesso de construção que arruinou Portugal, foi este excesso de investimento em bens não-transaccionáveis que destruiu o meu futuro próximo. No dia em que V. Exa. inventar a obra pública exportável, venho aqui retractar-me com uma simples frase: "eu estava errado, o dr. Jorge Coelho é um visionário e as construtoras civis devem ser o Alfa e o Ómega da nossa economia". Até lá, se não se importa, tenho direito a estar farto deste new deal entre políticos e construtores.



publicado por Paulo Sousa às 20:01
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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010
Para ler até ao fim

Entrevista de Henrique Neto a Anabela Mota Ribeiro no "Jornal Económico"

 

Uma vez, fui a um debate em Peniche, conhecia o Sócrates de vista. Isto antes do Governo Guterres. Não sabia muito de ambiente, mas tinha lido umas coisas, tinha formado a minha opinião. O Sócrates começou a falar e pensei: “Este gajo não percebe nada disto”. Mas ele falava com aquela propriedade com que ainda hoje fala, sobre aquilo de que não sabe. Eu, que nunca tinha ouvido o homem falar, pensei: “Este gajo é um aldrabão, é um vendedor de automóveis. Ainda hoje lhe chamo vendedor de automóveis".

"Quando se pôs a hipótese de ele vir a ser secretário-geral do PS, achei uma coisa indescritível. Era a selecção pela falta de qualidade. O PS tem muita gente de qualidade. Sempre achei que o PS entregue a um tipo como o

Sócrates só podia dar asneira".

"Gosto muito de Portugal – se tiver uma paixão é Portugal – e não gosto de ninguém que dê cabo dele. O Sócrates está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto. Entre o mal que faz e o bem que faz, com o Sócrates, a relação é desastrada".

"Há caras de que gostamos mais e outras menos, mas não me pesa assim tanto. Além do facto de que estou convencido de que ele não é sério, também noutros campos. Conheci a vida privada do Sócrates, ele casou com uma moça de Leiria, de quem conheço a família. Sou amigo do pai dela, que foi o meu arquitecto para a casa de São Pedro de Moel. Esta pequena decoração que vê aqui [em casa] foi feita pela cunhada do Sócrates. Às vezes compro umas pinturas que a mãe delas faz. Nunca fui próximo da família, mas tenho boas relações. Não mereciam o Sócrates. Portanto, sei quem é o Sócrates num ambiente familiar. Sei que é um indivíduo que teve uma infância complicada, que é inseguro por força disso, que cobre a sua insegurança com a arrogância e com aquelas crispações. Mas um País não pode sofrer de coisas dessas".

"Escrevi uma carta ao Guterres, que foi publicada, em que lhe disse coisas que digo do Sócrates. Era deputado quando escrevi a carta, era da comissão política do Partido Socialista. Foi na fase de Pina Moura e daqueles descalabros todos. Na comissão política, estão publicadas algumas dessas coisas, [sobre] os negócios do Jorge Coelho e do Pina Moura. Depois de ter falado disso tudo em duas ou três reuniões e não ter acontecido nada, escrevi uma carta e mandei ao Guterres. Ele distribuiu a carta. No outro dia veio nos jornais. Era uma carta duríssima. Os problemas eram os mesmos, estávamos a caminhar mal, estávamos a enganar os portugueses, a dizer que a economia estava na maior, quando não era verdade. Na altura já falava com o Medina Carreira e ele já falava comigo".

"Quando o Pina Moura foi ministro das Finanças, uma senhora das Finanças instalou-se lá na empresa. Nunca contei isto. Encontrava-a no elevador, nunca falei com ela, “bom dia Sra. Dr.a.”. Mas os meus homens contavam-me. Andou à procura, à procura, à procura como uma doida. Esteve lá alguns dois anos. As coisas não são impunes, a gente paga-as neste mundo. Disse o que quis do Pina Moura, da maioria desses gajos; era natural que se defendessem. Os seus colegas jornalistas muitas vezes foram ao Pina Moura com o que eu disse; e ele: “Não comento”. O Guterres também não comentava, e o Sócrates também não comenta. Aliás, quando faço uma intervenção ao pé dele fica histérico, não me pergunte porquê".

1"Estudei um pouco da história portuguesa, nomeadamente dos Descobrimentos; fizemos erros absurdos. Um dos erros é deixarmo-nos enganar, ou pelos interesses, ou pela burrice. O poder, os interesses e a burrice é explosivo. Descambámos no Sócrates, que tem exactamente estas três qualidades, ou defeitos: autoridade, poder, ignorância. E fala mentira. Somos um País que devia usar a inteligência e o debate para resolver os problemas, e temos dirigentes que utilizam a mentira e evitam o debate".

"A última comissão política do PS foi feita no dia em que o Sócrates anunciou estas medidas todas. Convocou a comissão política depois de sair da conferência de imprensa, para o mesmo dia, à última da hora, para ninguém ir preparado – primeira questão. Segunda questão, organizou o grupo dos seus fiéis para fazer intervenções umas a seguir às outras, a apoiar, para que não houvesse vozes discordantes. A ideia dele era que o Partido Socialista apoiasse as medidas. Fez medidas tramadas, toda a gente sabe. O mínimo era que o partido as apoiasse. Mas não falou antes. Depois o Almeida Santos fez aquilo que faz sempre: uma pessoa pode inscrever-se primeiro, mas o Almeida Santos só dá a palavra a quem acha. Os que acha que vão dizer o que não quer que digam, só vêm no fim. E no fim: “Isto está tarde, está na hora de jantar”. Isto é uma máfia que ganhou experiência na maçonaria. O Arq. Fava é maçónico, o Sócrates entrou por essa via, e os outros todos. Até o Procurador-Geral da República. Utiliza-se depois as técnicas da maçonaria – não é a maçonaria – para controlar a sua verdade. Os sucessivos governos, este em particular, pintam uma imagem cor-de-rosa da economia portuguesa. Isto é enganar as pessoas sistematicamente.

Depois aparecem críticos como o Medina Carreira ou eu a chamar a atenção para a realidade do País – chamam-nos miserabilistas! E quando podem exercem pressão nos lugares onde estão esses críticos e se puderem impedir a sua promoção ou acesso aos meios de informação, não hesitam. Isto era o que se passava antes do 25 de Abril, agora passa-se em liberdade, condicionando as pessoas, e usando o medo que têm de perder o emprego. José Sócrates, na última Comissão Política do PS, defendeu a necessidade das severas medidas assumidas pelo Governo, mas também disse que era muito difícil cortar na despesa do Estado porque a base de apoio do PS está na Administração Pública. Disse-o lá, e pediu para isso a compreensão dos presentes. Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis, ser-me ia indiferente. Mas ele é o primeiro-ministro e está a dar cabo do meu País. Não é o único, mas é o mais importante de todos".



publicado por Paulo Sousa às 00:01
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010
Greve Geral. Algumas questões.

 

Em véspera de Greve Geral sou assolado por algumas questões:

 

- A remuneração dos dirigentes sindicais mais mediáticos não depende de contribuições pecuniárias dos trabalhares que supostamente representam mas sim do Orçamento de Estado. Estaremos perante um sindicalismo de Estado?

 

- A UGT, central sindical ligada ao partido do Governo, há poucas semanas apelou à aprovação do OE mais 'agressivo' para com a Função Pública desde o início da democracia. Amanhã, se São Pedro o permitir, irá manifestar-se contra a política de austeridade do mesmo Governo. Estaremos perante alguns sintomas de esquizofrenia?

 

- Eu que, de todo não apoio este Governo também deveria fazer Greve. Será que as Finanças me aceitariam o pagamento da Segurança Social um dia mais tarde sem agravamento?



publicado por Paulo Sousa às 23:59
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Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010
Bloco Central?

Alguns notáveis insistem na formação de um Bloco Central como coligação para governar o país. O Governo, ou melhor Sócrates, depois de o ter negado agora entendeu que era uma boa forma para voltar a colocar pressão sobre Passos Coelho.

Uma dúvida: depois do desnorte que temos assistido relativamente à construção do TGV, que segundo o acordo com o PSD ficaria na gaveta para logo depois voltar a ser uma prioridade, há condições de confiança para um qualquer acordo que seja?



publicado por Paulo Sousa às 09:00
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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
Para ler sem falta

"Bancarrota Sócrates - Este poderá ser o nome que os historiadores irão atribuir no futuro ao período entre 2005 e 2011..."

 

É assim que começa um excelente post de Nuno Gouveia no Cachimbo de Magritte cuja leitura recomendo.



publicado por Paulo Sousa às 22:00
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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010
Quero a minha sanidade de volta!!

 

Desde que se começou a falar na vinda do FMI para ajudar Portugal a controlar o défice orçamental, que todos aqueles que se incomodam com a inúmeras e infindáveis mentiras de Sócrates, nos quais eu me incluo, que começaram a achar que o regresso do FMI ao nosso país seria o atestado inequívoco da incompetência de quem nos tem governado. Perante esse facto até os cidadãos honestos que repetidamente foram enganados nas campanhas para as legislativas, concluiriam que, de facto, tínhamos de mudar de rumo.

Recordar a hostilidade com que todos os opositores do Governo foram tratados desde há cinco anos, ajuda a entender este desejo de ver Sócrates ser afastado com o enxovalho possível.

Há uns meses Sócrates acreditou que com um pouco de arrogância, a desnorteada oposição ficaria atarantada e encolher-se-ia, mas como o assunto em causa são números, são contas públicas e não sondagens, e ter-se-á esquecido que os analistas financeiros não são eleitores, nem precisam de ser amigos do PS para assegurar o emprego e por isso cingiram-se a fazer o seu trabalho de avaliar a credibilidade das economias. O resultado já é de todos conhecido.

Perante o inegável e insustentável desconforto do Governo, todos os que querem ver José Sócrates dali pra fora, e que são cada vez mais, acabam por desejar que o mais rapidamente possível chegue o FMI, que o amarre, silencie e nos devolva a sanidade.

 

É normal que um cidadão que gosta de acreditar que vive numa sociedade democrática, deseje isto aos representantes do seu país?

 

Como é que chegamos a este ponto?



publicado por Paulo Sousa às 08:00
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Domingo, 31 de Outubro de 2010
Estamos no ponto de viragem?

Já várias vezes disse que Pedro Passos Coelho não me entusiasma, mas assumo que gostaria bastante de estar enganado.

Ao contrário do que muitos dos esclarecidos analistas que têm avaliado como desastrosa a estratégia de negociar a abstenção ao OE com o governo (não estamos a falar de um voto favorável), parece que PPC está a conseguir levar a água ao seu moinho. Pelo caminho soube lidar com a retirada de apoio dos chamados notáveis do partido, e até de Angelo Correia, o seu mentor político, mostrando assim alguma teimosia e até coragem política.

Os mesmos analistas também já tinham criticado PPC pelo momento escolhido para o lançamento da revisão constitucional, que lhe terá custado alguns pontos nas sondagens.

Segundo a sondagem da Universidade Católica divulgada esta semana, o PSD descolou do empate recente e subiu para os 40% das intenções de voto, enquanto o PS desceu para 26%, valor que já não verificava desde o final dos anos 80.

 

Olhando para imagem acima o que imediatamente pensei foi que com a arrogância que o PS (Partido Sócrates) nos tem habituado, o espaço a cinzento entre as bancadas laranja e rosa terá de ser ocupado por stewards.

Perante estes dados, que surgem exactamente na sequência da dita negociação do OE, os mesmos sempre infalíveis analistas dirão que tudo resulta de um acaso e da incompetência do Governo, até porque em democracia a oposição nunca conquista o poder mas é quem está no poder que se deixa derrotar.

Mas enquanto eles ridicularizam a estratégia do PSD, PPC além de ter lançado a revisão constitucional, afirmou há dias que "há direitos adquiridos que o deixam de ser quando o Estado não os puder resolver". Apesar de óbvia esta declaração merece um destaque que os media não lhe reconheceram. Ao violar a fronteira do politicamente correcto em matérias que nenhum político ousou beliscar nas últimas décadas, PPC assumiu que tem de se mexer nos direitos dos intocáveis, e a revisão constitucional está em curso. Dessa forma ganha legitimidade para o fazer caso venha a ser eleito, o que a cada dia que passa se torna mais inevitável.

Independentemente da sua capacidade levar a cabo as mudanças necessárias para que o país volte a devolver a economia à iniciativa privada e assim volte a criar a riqueza para conseguir pagar as dívidas criadas pela bebedeira socialista que vivemos nos últimos 15 anos, o que o eleitorado não duvida é que o canário canta bem (opinião com a qual nunca concordei) mas está a dar cabo da gaiola e por isso tem de se escolher outro pássaro para o seu lugar. Saiu-nos muito caro  e demorou muitos anos mas espero que esta semana tenha marcado o ponto de viragem.

Quem duvidar, veja esta avaliação do desempenho do Governo, com 80% dos inquiridos classificam como Mau e Muito Mau.

 



publicado por Paulo Sousa às 08:00
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010
O pântano não assumido mas inequívoco

 

Das negociações entre o PSD e PS, sobre as quais se chegou a pensar que chagariam a bom porto, sobram duas ideias chave:

 

- a posição dialogante de Teixeira dos Santos mudou depois de ter reunido com Sócrates;

- o desvio da execução orçamental do ano corrente é de um valor superior a 2 mil milhões de euros;

 

Quem tivesse dúvidas deixou de as ter. Sócrates procura desesperadamente uma desculpa para se demitir antes da chegada do FMI.



publicado por Paulo Sousa às 00:00
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Terça-feira, 26 de Outubro de 2010
150.000 novos empregos

 

No passado dia 11 o Liberation fez noticia sobre um assunto que parece ser tabu nos media portugueses. Desde há cinco anos emigraram 350.000 portugueses! Todos os portugueses conhecem alguém que emigrou há poucos anos, mesmo antes da famosa crise financeira internacional.

Os principais destinos são o Reino Unido, Espanha, Suiça e Angola.

Este será também um dos legados da governação socialista.



publicado por Paulo Sousa às 08:00
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Domingo, 17 de Outubro de 2010
O malfadado OE2011

Há varias semanas que o principal assunto da vida política nacional é o Orçamento de Estado 2011. Deixou de haver vida (política) para além do défice, e isso colocou todo o país à beira de um ataque de nervos.

Para uns a culpa é da crise e da ganância dos neo-liberais de Wall Street e até dizem que o mundo mudou nos últimos quinze dias, estranho não bocejarem durante a frase pois antes disso, e apesar dos avisos, deviam estar a dormir. Outros dizem que a situação exige responsabilidade e talvez por isso sabem que não podem contar com o BE nem com o PCP. Outros ainda deveriam lembrar que há pouco mais de um ano, durante a campanha eleitoral, avisaram que tudo isto iria acontecer e que estão na oposição porque os portugueses preferiram acreditar na poesia socialista. Em vez disso deixaram-se encurralar pelo PM e os seus chacais, chegando a uma situação em que aparentemente têm de escolher entre o suicídio político e a falta à palavra dada.

Será mesmo que o chumbo do OE por parte do PSD seria um suicídio político, nomeadamente do seu líder PPC? O que pensariam os portugueses se PPC se assumisse como um escravo da sua palavra e chumbasse o OE, simplesmente porque o disse quando deixou passar o PEC II. Seria interessante ver a reacção dos portugueses, habituados a políticos mentirosos e bem sucedidos, perante alguém que simplesmente assume o que diz.

Valerá a pena perder a palavra para manter um equilíbrio falso e podre? O que ganharemos com isso? A lógica imediatista do xadrez político dirá que ao PSD interessa adiar as próximas legislativa, porque é previsível que quanto mais tarde mais escândalos o PS transportará consigo. Mas no cenário do OE passar, o que fará o PSD caso o Governo peça de seguida uma moção de confiança?

Segundo o Semanário Sol, o chumbo do OE poderia levar três bancos 'ao fundo'. Ao ler isto pensei que se um deles não será o financiou esse mesmo jornal. Esta frase é também um bom exemplo do sucesso dos spin doctors de Sócrates, pois faz sentido que as consequências que todos temem possam ocorrer sim na sequência da demissão do Governo, que se fosse responsável (já nem digo que não nos colocaria na actual situação) teria de negociar o actual OE, e em vez de se demitir deveria apresentar um segundo orçamento.

PPC além destas questões, e de outras que não serão conhecidas do grande público, tem também de conseguir convencer os deputados do PSD a votar contra, e importa lembrar que os deputados do PSD foram escolhidos pela anterior Direcção que sabemos ser partidária da abstenção. Caso seja essa a indicação de voto do partido, quantos a seguirão ou quantos estarão presentes durante a votação? Este é também um problema que decorre das guerras internas do PSD.

Ouvi há dias, e não podia estar mais de acordo, que os próximos dias ficaremos a conhecer a verdadeira essência política dos actuais intervenientes da política nacional.

Aguardemos então com a serenidade característica de um povo com consegue ser sereno, mesmo quando está a ser espancado.

 



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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010
Estado social?

Falar de “Estado social” faz tanto sentido como falar de uma Inquisição tolerante ou de uma Máfia honesta.

 

Ler o resto aqui



publicado por Paulo Sousa às 14:00
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Sábado, 25 de Setembro de 2010
Pensamento do dia

Com o FMI sairemos finalmente da Irreal Politik que vivemos desde 1995



publicado por Paulo Sousa às 09:00
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010
Parece que foi há tantos anos...

No longínquo Agosto de 2009...

 



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Terça-feira, 21 de Setembro de 2010
A Televisão Pública

Após duas semanas em que muito se falou do Estado Social e com especial ênfase para o Serviço Nacional de Saúde, e em que se assistiu a um alarmismo desonesto por parte do Governo que não hesitou em mentir e assustar os portugueses apenas e só para obter benefício imediato (objectivo suficiente para que o spindoctors socialistas dêem largas à sua fértil imaginação), nada melhor que uma reportagem, a rondar o reality show, em que Judite de Sousa mostra a quem duvide que temos médicos que resolveram um caso que nem nos EUA tinha solução... fantástico!!

 

RTP Pública ... sempre!! PÊ ÉSSE! PÊ ÉSSE! PÊ ÉSSE!

 




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Sábado, 18 de Setembro de 2010
O ensino segundo o Partido Socialista

"Tomás desistiu da escola sem ter concluído o secundário. Graças ao programa criado pelo Governo para aumentar as qualificações dos portugueses, teve equivalência ao 12o ano em poucos meses e entrou na universidade com uma média de 20 valores, conseguida com apenas um exame de Inglês. Ainda assim, concorreu em igualdade de circunstâncias com todos os outros. Oficialmente, é o aluno com a mais alta nota de candidatura ao ensino superior. Admite que beneficiou de uma injustiça."

 

Hoje no Expresso



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Domingo, 1 de Agosto de 2010
Navegações

Recomendo a leitura deste texto de José Manuel Fernandes no Blasfémias, que relata na primeira pessoa a herança socialista nos atentados à liberdade de imprensa.

Os apoiantes de Jose Socrates não precisam de ler para não se arreliarem.



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Segunda-feira, 26 de Julho de 2010
Forum Jornal de Leiria

 

Quando o clima de facilitismo que se assiste na Educação é justificado pela 'necessidade' da escola ser inclusiva, quando se assume que a repetência de ano 'é um mal que gera conflitualidade' é natural que o Ministério pretenda acabar com esse 'sorvedouro de esperança'.

Claro que nas entrelinhas da política educativa dos últimos anos os alunos, que não são idiotas, conseguem ler que o trabalho além de não ser premiado também não é exigido.

Como se o mau resultado não chegasse, registo a opinião de Miguel Abreu, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, que afirma que a prova teve um grau de exigência inferior ao que seria adequado.

A capacidade de cálculo matemático que esta geração recebeu do ensino oficial é mais uma das heranças que a governação socialista deixará após a sua passagem pelos destinos do país.



publicado por Paulo Sousa às 08:00
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Sexta-feira, 23 de Julho de 2010
Estará o fim dos boys previsto na Revisão Constitucional?

"O modo como o país está a ser governado foi largamente debatido no Parlamento. Mas às vezes, para lá dos discursos, deparamos com factos que, apesar de parecerem insignificantes, falam por si.

Há certos atos que se tornam demasiado rotineiros. Já ninguém liga aos job for the boys, mas eles aí continuam a asfixiar o Estado, a miná-lo como doença.

Vem isto a propósito da nomeação de José Apolinário como diretor-geral das Pescas. Conheci-o há muitos anos, quando foi eleito líder da JS. Nada me move contra ele, mas não me apercebo das suas qualidades para um cargo que jamais teria não fosse o caso de ter sofrido uma derrota nas autárquicas, em Faro. Pode alegar-se que ele já tinha sido secretário de Estado das Pescas, é verdade! Mas este é um cargo político e aquele é um cargo técnico. Apolinário, licenciado em direito, entrou no Parlamento com 23 anos, foi membro do Governo e deputado europeu. Nunca teve uma profissão que não fosse a política. Do acervo das suas intervenções em Plenário, conclui-se que a sua qualificação para as pescas está no facto de ser algarvio e ter, portanto, nascido à beira-mar. É certo que falou sobre o assunto na AR (trabalha bastante, reconheço). Mas falou também sobre hospitais, linguagem gestual e muitos outros assuntos...

Nada me move contra ele e não sou cínico se disser que pode, até, ser um bom diretor-geral. O que me leva a chamá-lo para esta crónica é o facto de ele ter substituído (por decisão do ministro António Serrano) um homem que era diretor-geral das Pescas desde 1998, de nome Eurico Monteiro. Este é licenciado em Direito e um histórico técnico superior da Direção-Geral das Pescas. Aliás o Governo reconhece-lhe competência, pois já o nomeou assessor especializado no gabinete do secretário de Estado das Pescas e pretende que ele vá para a REPER (representação de Portugal junto da Comissão Europeia). Mas, para isso tem de tirar da REPER Rui Ribeiro do Rosário (economista e técnico superior do Ministério da Agricultura com obra publicada) indicado para Bruxelas por Jaime Silva e confirmado por Luís Amado em setembro último, por mais três anos. Luís Amado quis resistir à nomeação de Eurico, que vai chegar à idade da reforma a meio da comissão, mas acabou por fazer a vontade ao atual ministro. Assim, sai Rui Rosário, com direito a indemnização, provavelmente, e entra Eurico.

E aqui está uma história igual a tantas outras. Um político no desemprego tira o lugar a dois destacados técnicos do Estado.

Esta sucessão irracional de nomeações, que há por aí aos centos, foi noticiada por Isabel Arriaga e Cunha, correspondente do "Público" Bruxelas. É muito significativa do estado da nossa nação e do modo como somos governados.

Não necessita mais palavras..."

 

Texto publicado na edição do Expresso de 17 de julho de 2010

 

O caso que Henrique Monteiro aqui relata é um, entre muitos outros, que têm acontecido durante a governação PS, mas que sabemos também ter sido muito frequente nos governos PSD.

Os boys fazem parte do regime.

Sendo o prémio de consolação daqueles que colaboram com o respectivo partido mas não convencem o eleitorado, a colocação de filiados, muitas vezes sem qualquer experiência na área em que são colocados, é algo que ajuda a corroer a já muito degradada imagem dos políticos.

Li algures que em Itália, um país em que a classe política tem uma  imagem especialmente negativa, as instituições funcionam (Tribunais, Universidades, Hospitais, Administração territorial, …) com uma razoabilidade surpreendente, e isso deve-se ao facto de muitos dos lugares de topo na administração pública serem ocupados por funcionários que permanecem no seu cargo mesmo quando mudam os governos. Assim consegue-se que exista um fio condutor ao longo do tempo e não se assiste à destruição de todos os projectos que estejam em marcha, sempre que um novo governo entra em funções.

Será que as alterações à Constituição prevêem algo para evitar isto?

Estou em crer que quando o próximo governo entre em funções (e que previsivelmente será PSD), tudo fique na mesma.

Passos Coelho pode ter boas intenções, mas existe muita gente no seu partido a fazer contas de cabeça, a fazer mudanças no seu dia-a-dia e a colocar-se em bicos dos pés mostrando-se disponíveis para o que calhar. E não aceitarão ficar de fora.

A existência dos boys depende exactamente dos deputados. Todos sabemos que aquando nas listas, basta um pouco de azar para que se fique de fora. Por isso nada como fazer um 'seguro contra sinistros' na vida política. A existência de boys, é por isso uma espécie com a continuidade garantida.



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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010
Sobre a evolução da dívida pública

 

"O défice do subsector Estado voltou a aumentar. No primeiro semestre deste ano, agravou-se 462 milhões de euros face ao homólogo, para 7.763 milhões, segundo dados revelados pela Direcção-geral do Orçamento.

A receita efectiva cresceu 3,5%, mas a despesa cresceu ainda mais: 4,3%. Uma aceleração que é atribuída à «inflexão do comportamento dos juros e outros encargos relativamente a meses anteriores». Ou seja, o Estado está a ter encargos mais elevados com os juros."

Agência Financeira

 

Como já aqui disse, e apesar de concordar genericamente com a coisa, questiono-me se a proposta de revisão constitucional que o PSD está a apresentar, não estará também a ser uma excelente cortina de fumo para o dia-a-dia da governação socialista do país.



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Quinta-feira, 15 de Julho de 2010
Sobre a gestão cínica do calendário político

 

Olhando para a auto-estrada sem portagem que se abre dia após dia para que Pedro Passos Coelho chegue a Primeiro-Ministro, questiono-me se não deveria o PSD tomar as rédeas dos acontecimentos e em vez de gerir calendários eleitorais. Fazer algo pelo país hoje é diferente de o fazer daqui a um ano ou dois. A realidade de hoje é diferente do que será 2011 ou 2012 (La Palisse não diria melhor) e o país sabe que é necessário inverter a trajectória. Há que fazê-lo quanto antes. Se os dias corressem linearmente sem perturbações nunca um vulcão esquecido na Islândia interromperia o quotidiano de meio globo, nem o Tsunami no extremo oriente teria acontecido. E no entanto, sem ninguém os esperar, aconteceram. Achará o PSD que tem todas as variáveis no bolso?

Será que deixando o PS cozer em lume brando não estará a ser demasiado cínico para um partido que quer ser alternativa?

Claro que todos gostamos de assistir ao estertor político de Sócrates, que todos os dias nos brinda com uma nova sessão de break-dance dentro de uma poça de ridículo. Mas o tempo passa e, como aqui diz o Eduardo, estamos apenas a deixar passar o tempo, sem nada fazer. Não faz sentido. A história mostra que os líderes visionários foram capazes, eles próprios, de marcar o quotidiano dos outros e não o contrário.



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Terça-feira, 13 de Julho de 2010
O lobi da saúde

 

Num país de lobis silenciosos que influenciam a governação, existe quem não tenha pudor em assumir as suas intenções.

Não é necessário ouvir as notícias para saber da falta de médicos no nosso país, pois isso verifica-se no Centro de Saúde mais próximo. Torna-se por isso necessário aumentar as vagas para formação de novos médicos, até para evitar a saída de alunos de elevado potencial para os estrangeiro, para aí se formarem.

Este ano verificou-se um aumento do número de vagas e assim espera-se que dentro de meia década aumento o ritmo de entrada de novos médicos no activo. O governo PS demorou 15 anos a fazê-lo mas, o seu a seu dono, lá acabou por criar 3 TRÊS 3 novas vagas nos cursos de Medicina.

Perante este exagero inaudito Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, não hesitou em chumbar a estratégia para o Ensino Superior e mostra-se preocupado com a possibilidade de se estar a criar uma situação de 'desemprego médico'.

Assim vai a nossa Saúde.



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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010
Vamos ver se entendemos este PS

Santos Silva avisou há dias: PSD tem uma agenda neo-liberal de desmantelamento do Estado Social.

Sabemos que Santos Silva gosta de malhar na direita e, por isso, Pedro Passos Coelho mesmo em silêncio seria um alvo apetecível.

O 'malhador de serviço' descansa-nos dizendo que o PS, pelo contrário, tem uma agenda da esquerda democrática que pretende, ele sim, desenvolver e sustentar o estado providência.

José Sócrates alarga o âmbito das criticas à direita e introduz a palavra 'ideologia' nas diferenças o PS e o PSD, o que não deixa de ser uma inovação arrojada, até porque, se olharmos com atenção, é exactamente o PS que está a promover cortes nas remunerações e nos benefícios sociais (i.e. subsídios de desemprego e alargamento da idade da reforma). Estas medidas que o governo justifica serem tomadas de forma a garantir a sustentabilidade do Estado Social, se fossem tomadas por um governo PSD, seriam claramente neo-liberais. É nesta falta de simetria retórica, e no limite de seriedade, que reside o que resta da governação de Sócrates.

Engraçado é lembrar Mario Soares há dois meses a elogiar o sentido de estado de Pedro Passos Coelho.

 



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Leitura em curso


O Futuro e os seus inimigos

 

de Daniel Innerarity

 

Um livro que aposta numa política do optimismo e da esperança numa ocasião em que diminui a confiança no futuro. Boa parte dos nossos mal-estares e da nossa pouca racionalidade colectiva provém de que as sociedades democráticas não mantêm boas relações com o futuro. Em primeiro lugar, porque todo o sistema político, e a cultura em geral, estão virados apenas para o presente imediato e porque o nosso relacionamento com o futuro colectivo não é de esperança e projecto mas de precaução e improvisação. Este livro procura contribuir para uma nova teoria do tempo social na perspectiva das relações que a sociedade mantém com o seu futuro: de como este é antevisto, decidido e configurado. Para que a acção não seja reacção insignificante e o projecto se não converta em idealismo utópico, é necessária uma política que faça do futuro a sua tarefa fundamental

 


Teorema

 


 

 




 

Cachimbos: Marcas, Fabricantes e Artesãos

 

 

de José Manuel Lopes

 

 

 

O mais completo livro sobre cachimbos, da autoria do jornalista José Manuel Lopes, presidente do Cachimbo Clube de Portugal. Profusamente ilustrada, esta obra a que poderíamos chamar enciclopédica, dá-nos ainda em anexo uma completíssima lista de clubes e associações do mundo inteiro e dos seus sites.


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